O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou o fim do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como material preenchedor em procedimentos médicos estéticos e reparadores no Brasil.
A nova resolução, que será publicada nesta terça-feira (2), amplia as restrições já existentes sobre a substância e reforça preocupações relacionadas à segurança dos pacientes.
O PMMA é um composto acrílico utilizado em diversas aplicações industriais e médicas. Na medicina, era empregado na forma de microesferas suspensas em uma solução injetável destinada ao preenchimento de áreas do corpo para fins estéticos ou corretivos.
Segundo especialistas do CFM, o material apresenta riscos tanto imediatos quanto tardios. Entre as complicações observadas estão reações alérgicas, infecções, processos inflamatórios e quadros de hipersensibilidade.
No entanto, a principal preocupação está relacionada ao fato de o produto permanecer permanentemente no organismo.
De acordo com a conselheira do CFM, Graziela Bonin, pacientes submetidos ao procedimento podem desenvolver problemas graves anos após a aplicação, incluindo inflamações crônicas, hipercalcemia e insuficiência renal crônica.
Outro fator apontado pelos especialistas é a dificuldade de remoção do material. Como o PMMA se integra aos tecidos do corpo, sua retirada geralmente exige procedimentos cirúrgicos complexos, que podem envolver a remoção de tecidos saudáveis e resultar em sequelas permanentes.
Com a publicação da nova norma, médicos ficarão impedidos de utilizar o PMMA como preenchedor em qualquer procedimento com finalidade estética ou reparadora.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, informou que a entidade pretende discutir com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a retirada definitiva do produto do mercado brasileiro.
A resolução prevê apenas uma exceção. Pacientes com HIV/aids que apresentam lipodistrofia e realizam tratamento em centros especializados do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão continuar utilizando o produto temporariamente, até que outras opções terapêuticas sejam incorporadas à rede pública.
A Anvisa destacou que já não autoriza o uso do PMMA injetável para fins exclusivamente estéticos. Atualmente, a substância possui indicação restrita para determinadas correções teciduais relacionadas à saúde e deve ser aplicada apenas por médicos devidamente habilitados.
Segundo a agência reguladora, análises realizadas ao longo de 2025 não identificaram necessidade de alterar as indicações atualmente aprovadas.
Ainda assim, o órgão reforça a importância da fiscalização contínua e da notificação de eventos adversos para garantir o monitoramento da segurança dos produtos utilizados na área da saúde.
A decisão do CFM ocorre em meio ao aumento das discussões sobre segurança em procedimentos estéticos e pode impactar diretamente profissionais e pacientes que buscavam alternativas de preenchimento permanente.
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