O Kremlin acusou a França de praticar “pirataria internacional” após a Marinha Francesa interceptar o petroleiro Tagor no Oceano Atlântico. A reação foi feita nesta segunda-feira, 1º de junho, pelo porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, depois que o presidente Emmanuel Macron anunciou a abordagem da embarcação, que havia partido de Murmansk, no norte da Rússia.
Segundo Peskov, Moscou considera a ação ilegal e discorda da justificativa francesa de que a operação teria ocorrido em conformidade com o direito internacional. O porta-voz afirmou ainda que a Rússia está adotando medidas para proteger suas cargas e que continuará fazendo isso diante da “experiência negativa” registrada em episódios recentes envolvendo navios ligados ao país.
A Marinha Francesa interceptou o Tagor no domingo, 31 de maio, a mais de 400 milhas náuticas, cerca de 741 quilômetros, a oeste da região francesa da Bretanha. A operação ocorreu em águas internacionais e contou com apoio de parceiros, incluindo o Reino Unido, segundo informou Macron.
Em publicação nas redes sociais, o presidente francês afirmou que a determinação de Paris contra embarcações sujeitas a sanções é “constante e total”. Para o governo francês, o Tagor faz parte do conjunto de navios usados para contornar sanções impostas à Rússia em razão da guerra na Ucrânia.
Autoridades francesas suspeitam que a embarcação integra a chamada “frota fantasma” russa, termo usado para descrever navios que operam com registros pouco transparentes, mudanças de bandeira, estruturas societárias opacas e rotas destinadas a escapar de restrições internacionais ao petróleo russo.
De acordo com informações divulgadas pela agência AP, militares franceses embarcaram no petroleiro por helicóptero após o capitão não cumprir ordens. A investigação aberta pelas autoridades francesas apura suspeitas de navegação sem bandeira regular e desobediência a instruções no mar.
O Gabinete do Prefeito Marítimo do Atlântico informou que o navio é um petroleiro vindo de Murmansk. Após a abordagem, a embarcação passou a ser escoltada pela Marinha Francesa e deve ficar à disposição das autoridades para investigação.
O caso ocorre em meio ao endurecimento da fiscalização ocidental contra navios suspeitos de transportar petróleo russo em violação às sanções internacionais. Desde o início da guerra na Ucrânia, países europeus e aliados dos Estados Unidos ampliaram medidas para reduzir a receita energética de Moscou, considerada uma das principais fontes de financiamento do esforço militar russo.
Para Paris, a interceptação do Tagor se insere nesse esforço de bloqueio a operações marítimas consideradas irregulares. Para Moscou, no entanto, a ação representa uma violação da liberdade de navegação e uma tentativa de pressionar economicamente a Rússia por meio de medidas ilegais.
A tensão deve gerar novos desdobramentos diplomáticos entre os dois países. Enquanto a França sustenta que a operação teve base legal e mirou uma embarcação sancionada, o Kremlin afirma que a abordagem se aproxima de um ato de pirataria e promete reforçar medidas de proteção a cargas russas.
Até o momento, não há confirmação pública sobre eventual carga transportada pelo Tagor nem sobre medidas judiciais definitivas contra a tripulação. A investigação francesa deverá apontar a situação documental da embarcação, sua rota, sua bandeira e eventual ligação com redes usadas para driblar sanções internacionais.
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