O governo interino do Rio de Janeiro decidiu suspender a aquisição de um helicóptero militar modelo Sikorsky UH-60 Black Hawk que seria incorporado à frota da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
A medida foi adotada após auditorias identificarem inconsistências no processo licitatório, dúvidas sobre a origem da aeronave e questionamentos técnicos sobre seu uso em áreas urbanas.
O contrato previa investimento de US$ 12,6 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 70,3 milhões na cotação da época.
A empresa responsável pelo fornecimento seria a Blue Air Táxi Aéreo. Apesar do anúncio oficial da compra ter sido feito em janeiro, o governo informou que nenhum pagamento foi efetuado.
A suspensão integra o primeiro ciclo de auditorias determinado pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que assumiu temporariamente o comando do estado.
Segundo o Palácio Guanabara, o processo continuará sob análise técnica e jurídica até a conclusão das verificações.
As auditorias apontaram indícios de vínculos entre empresas que participaram da concorrência.
A Flyone, representada por Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido como “Tico-Tico”, participou das etapas iniciais da disputa. Já a Blue Air foi declarada vencedora no fim de 2025.
Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicam que Daniel de Sousa Freitas da Silva Telles, sobrinho de Fernando Telles, ocupa o cargo de diretor de operações da Blue Air.
O caso também ganhou repercussão porque o Ministério Público Federal investiga acidentes envolvendo aeronaves da Flyone no Acre, ocorridos quando Fernando Telles estava à frente da empresa.
Outro ponto que chamou a atenção foi o valor apresentado pela Blue Air, considerado abaixo da média de aquisições semelhantes feitas pela Força Aérea Brasileira em 2025. A diferença levantou dúvidas sobre a possibilidade de uso de componentes recondicionados ou já utilizados na aeronave.
Além das questões administrativas, análises técnicas apontaram limitações operacionais do Black Hawk em áreas densamente povoadas.
Com cerca de quatro toneladas, o helicóptero exige maior espaço para pousos e decolagens e pode provocar deslocamento de telhados e estruturas leves em comunidades devido à força gerada pelas hélices em voos de baixa altitude.
Diante das inconsistências identificadas, o governo concluiu que a compra não será efetivada neste momento.
Em nota, o Estado informou que todos os procedimentos “estão sendo examinados sob critérios técnicos e jurídicos e, enquanto passam por análise de conformidade, permanecem suspensos”.
A Polícia Rodoviária Federal informou ainda que Daniel Telles possui habilitação como comandante de helicópteros e está afastado de suas funções desde 2024.
A suspensão do contrato reforça a política de revisão de licitações e contratos adotada pela atual gestão interina, que vem ampliando auditorias em diferentes áreas da administração estadual com o objetivo de identificar eventuais irregularidades e fortalecer o controle sobre os gastos públicos.
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