O governo da Venezuela voltou a adotar medidas de restrição na fronteira com a Colômbia em um curto intervalo de tempo, envolvendo tanto infraestrutura quanto circulação internacional.
Em um primeiro anúncio, o Ministério do Transporte determinou o fechamento total da ponte internacional Francisco de Paula Santander, que liga Ureña, na Venezuela, a Cúcuta, na Colômbia.
A medida, em vigor desde domingo (3), foi estabelecida por 15 dias e tem como justificativa a realização de obras de reabilitação na estrutura. As autoridades recomendaram que a população tome precauções durante o período, embora não tenham detalhado quais intervenções serão feitas.
Um agente de segurança relatou que a ponte já apresentava um processo antigo de deterioração, agravado pelas chuvas recentes, e que o fluxo intenso de veículos — estimado em milhares por dia — aumenta a preocupação com a integridade da travessia.
Poucos dias depois, o governo venezuelano anunciou uma nova restrição mais ampla: o fechamento de toda a fronteira com a Colômbia até a próxima segunda-feira.
A decisão foi justificada por autoridades locais como resposta a uma suposta “conspiração internacional” que, segundo o discurso oficial, teria como objetivo desestabilizar o país às vésperas de um evento político importante.
A medida foi comunicada pelo governador do estado de Táchira, Freddy Bernal, que afirmou ter recebido informações de uma tentativa de perturbação da ordem interna. Ele declarou que o fechamento vigoraria por um período limitado, começando nas primeiras horas da manhã e se estendendo até o início da semana seguinte.
O anúncio ocorreu em um momento politicamente sensível, pouco antes da posse de Nicolás Maduro para um novo mandato presidencial.
O processo eleitoral que o reconduziu ao cargo é alvo de contestação por parte da oposição, que acusa fraude e questiona a legitimidade do resultado, além de apontar falta de transparência na condução da eleição.
A oposição, por sua vez, mantém o discurso de que o resultado não reflete a vontade popular e denuncia a repressão política no país.
O candidato opositor Edmundo González, que afirma ter vencido o pleito, declarou intenção de retornar à Venezuela, embora não tenha detalhado como faria a entrada no território, especialmente diante de uma ordem de prisão emitida contra ele pelo Ministério Público.
O conjunto de medidas reforça o cenário de instabilidade na fronteira venezuelana, onde decisões de restrição de circulação e fechamento de acessos têm sido recorrentes em meio a tensões políticas internas e disputas diplomáticas com a Colômbia.
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