Os bastidores do poder fluminense voltaram a ferver nas últimas horas. O PL do Rio de Janeiro já trabalha, reservadamente, com uma mudança de rota na disputa pelo eventual mandato tampão ao Governo do Estado. O nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Douglas Ruas, perde força no tabuleiro e pode ser substituído pelo ex-secretário de Polícia Civil Felipe Cury, delegado de carreira e figura de maior densidade eleitoral no campo conservador da segurança pública.
A movimentação ocorre em meio ao ambiente de instabilidade institucional criado após o afastamento de Cláudio Castro e a posse interina do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, hoje no comando provisório do Palácio Guanabara.
Nos corredores do poder, a avaliação é objetiva: Douglas Ruas reúne fidelidade partidária e trânsito interno, mas enfrenta um obstáculo difícil de superar — falta de tempo para se tornar conhecido do eleitorado fluminense.
Com a janela política curta e o cenário embaralhado por disputas judiciais, aliados admitem que seria arriscado apostar em um nome ainda de baixa exposição estadual para uma eleição relâmpago.
É justamente nesse ponto que Felipe Cury passou a ganhar musculatura.
Delegado, vitrine e recall eleitoral
Cury deixou recentemente a Secretaria de Polícia Civil para disputar uma vaga de deputado federal e chegou a ser cogitado, inclusive, para uma eventual candidatura ao Senado, caso o ex-governador Cláudio Castro enfrente impedimentos eleitorais mais à frente.
Além disso, sempre foi visto como nome bem avaliado pelo senador Flávio Bolsonaro, que acompanha de perto a reorganização do PL no Rio.
Na comparação interna, Cury larga com 4 vantagens estratégicas:
- maior exposição pública;
- associação direta à pauta da segurança;
- imagem técnica;
- recall de operações policiais de impacto;
- capacidade de dialogar com o eleitor conservador da Região Metropolitana e Baixada.
A segurança pública, aliás, segue sendo o ativo político mais valioso do grupo castrista. Operações recentes em áreas como o Complexo do Alemão e Complexo da Penha, dentro da chamada Operação Contenção, reforçaram esse eixo narrativo.
Ruas enfrenta nuvem jurídica na Alerj
Outro fator pesa silenciosamente contra Douglas Ruas: os questionamentos jurídicos sobre sua eleição para a presidência da Alerj.
Adversários articulam teses sobre rito, votação e legalidade do processo sucessório na Assembleia, o que transformaria uma eventual candidatura ao governo em novo foco de judicialização.
Na prática, lançar Ruas significaria colocar no centro da disputa um candidato carregando incertezas institucionais.
No ambiente atual, isso é visto como risco excessivo.
STF, royalties e contagem regressiva
O relógio político também corre por outro motivo: o Supremo Tribunal Federal marcou para 6 de maio o julgamento sobre a partilha dos royalties do petróleo — tema explosivo para as finanças fluminenses e decisivo para municípios produtores.
Dependendo do desfecho, o resultado poderá alterar humor de prefeitos, bancadas regionais e grupos econômicos, influenciando diretamente a eleição indireta ou eventual rearranjo político no Estado.
Com isso, o PL busca um nome que chegue pronto, competitivo e sem necessidade de apresentação ao eleitor.
Hoje, nos bastidores, Felipe Cury preenche mais requisitos que Douglas Ruas.
O jogo virou
Oficialmente, ninguém confirma mudança alguma. Publicamente, Douglas Ruas segue prestigiado.
Mas no subsolo onde a política real acontece, o vento mudou.
E no Rio, quando o vento muda no Guanabara, quase sempre alguém perde o lugar na fotografia.
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