Milhares de pessoas participaram de manifestações em diversas cidades do Irã nesta quinta-feira (9), marcando os 40 dias da morte do líder supremo Ali Khamenei.
Ele morreu em um bombardeio atribuído a Israel e aos Estados Unidos no início do conflito entre os países.
As manifestações ocorreram em centenas de cidades, com maior concentração na capital, Teerã. No local, uma procissão percorreu a Praça Jomhouri até o ponto onde Khamenei foi atingido.
Imagens divulgadas pela mídia estatal mostram multidões com bandeiras nacionais e retratos de lideranças políticas e vítimas da guerra, incluindo crianças mortas em ataques, como o registrado em uma escola na cidade de Minab.
Além de Khamenei, os atos também homenagearam dirigentes políticos, militares e civis mortos durante o conflito, que se estendeu por cerca de 40 dias. Dados da Organização de Medicina Forense do país indicam que mais de 3 mil pessoas morreram, sendo aproximadamente 40% ainda não identificadas.
Segundo o antropólogo Paulo Hilu, da Universidade Federal Fluminense, as manifestações demonstram a existência de uma base de apoio ao regime iraniano, apesar das divisões internas.
Ele destaca que, diante de ataques externos, setores críticos tendem a se alinhar à defesa do país frente a ameaças estrangeiras.
Após a morte de Khamenei, o cargo de líder supremo foi assumido por seu filho, Mojtaba Khamenei, que prometeu reagir aos ataques e vingar as vítimas. Autoridades afirmam que o antigo líder recusou deixar sua residência e permaneceu no local durante o bombardeio — atitude interpretada, dentro da tradição do islã xiita, como um ato de martírio.
No sistema político iraniano, o líder supremo ocupa a posição mais alta da estrutura de poder, com influência direta sobre as Forças Armadas e instituições estratégicas.
O cargo é vitalício e preenchido pela Assembleia dos Especialistas, órgão composto por clérigos eleitos.
A atual República Islâmica foi estabelecida após a Revolução Iraniana de 1979, que encerrou a monarquia liderada por Reza Pahlavi e marcou o início das tensões com potências ocidentais.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












