O colapso do Banco Master no Brasil resultou em prejuízo milionário para a Mastercard, que foi obrigada a cobrir pagamentos realizados por clientes da fintech Will Bank, vinculada ao grupo financeiro. A informação foi divulgada pela Bloomberg e indica que a empresa agora busca recuperar os valores por meio do processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.
A exposição financeira ocorreu devido ao papel da Mastercard como operadora da rede de cartões utilizada pelo Will Bank, marca voltada ao consumidor da Will Financeira, que atendia cerca de 12 milhões de clientes, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Em janeiro de 2026, a fintech deixou de cumprir obrigações relacionadas à liquidação de pagamentos a varejistas. Diante do descumprimento contratual, a Mastercard teve que ressarcir os comerciantes pelas transações realizadas, assumindo o prejuízo enquanto aguarda reembolso por meio dos trâmites legais de insolvência.
A empresa suspendeu os cartões da fintech em 20 de janeiro, após identificar falhas no cumprimento dos prazos de liquidação financeira. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, afirmando que a medida se tornou inevitável após tentativas frustradas de solução de mercado.
Antes da liquidação, a Mastercard já havia tomado medidas para reduzir riscos, executando garantias relacionadas às dívidas da fintech. Entre os ativos obtidos estão participações acionárias em empresas como a varejista online Westwing e o Banco de Brasília (BRB), que deverão ser vendidas pela companhia.
O colapso do Banco Master e de empresas associadas é considerado um dos episódios mais relevantes do sistema financeiro recente. A liquidação das instituições impactou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que precisou mobilizar bilhões de reais para cobrir prejuízos e manter a estabilidade do sistema bancário.
O caso também levou à ampliação de investigações sobre possíveis irregularidades e fraudes envolvendo executivos e agentes do setor financeiro. Paralelamente, o Congresso Nacional analisa propostas para fortalecer os mecanismos de supervisão e ampliar os poderes do Banco Central em processos de liquidação de instituições financeiras.
Especialistas avaliam que o episódio reforça a necessidade de maior atenção aos riscos envolvidos nas parcerias entre grandes empresas de pagamentos e fintechs vinculadas a instituições financeiras em situação de fragilidade.
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