O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu que Moscou pode abandonar completamente o mercado de gás da Europa e redirecionar o fornecimento energético para outros parceiros internacionais. A declaração foi feita em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à instabilidade no mercado global de energia.
Segundo Putin, a possibilidade de retirar a Rússia do mercado europeu ainda não é uma decisão definitiva, mas uma alternativa que pode ser discutida diante do atual cenário político e econômico. O líder russo afirmou que o país poderia priorizar o envio de gás para o que chamou de “parceiros confiáveis”.
A declaração ocorreu poucas horas depois de autoridades russas acusarem a Ucrânia de atacar um navio-tanque russo de gás natural liquefeito no Mar Mediterrâneo. O incidente teria ocorrido próximo às águas territoriais de Malta e, segundo Moscou, envolveu veículos de superfície não tripulados.
O navio Arctic Metagaz, que transportava gás natural liquefeito a partir do porto de Murmansk, sofreu danos após uma explosão registrada em 3 de março. Todos os 30 tripulantes foram resgatados, mas o navio teve partes da estrutura comprometidas. A Ucrânia não comentou publicamente o episódio.
Se confirmada, a ação representaria o primeiro ataque direto a um navio transportador de gás russo desde o início da guerra na Ucrânia. O governo russo classificou o episódio como um ato de terrorismo internacional.
O cenário ocorre em meio a uma nova onda de instabilidade nos mercados de energia, agravada pelo conflito envolvendo o Irã. Ataques recentes contra instalações energéticas no Golfo e a interrupção do tráfego de navios no Estreito de Hormuz pressionaram os preços globais do gás.
Na última semana, o preço do gás na Europa chegou a subir cerca de 75%, refletindo o temor de novas interrupções no abastecimento. Ao mesmo tempo, os estoques de gás da União Europeia estavam em torno de 30% no início de março, abaixo dos níveis registrados em anos anteriores.
Apesar das declarações recentes de Putin, a dependência europeia do gás russo já diminuiu significativamente desde a invasão da Ucrânia em 2022. Antes da guerra, mais de 40% do gás consumido na União Europeia vinha da Rússia. Em 2025, esse número caiu para cerca de 13%.
A União Europeia também aprovou um plano para eliminar gradualmente a importação de gás russo. A meta prevê o fim das compras de gás natural liquefeito até o final de 2026 e a interrupção total do fornecimento por gasodutos até 2027.
Analistas avaliam que as declarações do presidente russo podem representar tanto um sinal político quanto uma estratégia de negociação em meio às tensões energéticas globais.
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