Um novo panorama sobre a qualidade do ar no Brasil indica que diversos poluentes continuam acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, segundo o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O levantamento considera dados de 2024 e, pela primeira vez, aplica os padrões de transição definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou os limites nacionais e estabeleceu etapas para atingir os critérios da OMS.
O estudo avaliou ozônio (O₃), monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (NO₂), dióxido de enxofre (SO₂), material particulado fino (MP2,5) e inalável (MP10), registrando tendências de aumento ou redução, variações sazonais e episódios de ultrapassagem dos limites.
Os dados foram coletados em 570 estações de monitoramento distribuídas pelo país, número 19% maior que em 2023 e 44% maior que em 2022.
Entre os poluentes, apenas o CO e o NO₂ permaneceram majoritariamente dentro dos limites intermediários definidos pelo Conama, com exceções como no Maranhão, onde o CO ultrapassou os padrões em 18% dos dias monitorados.
Os demais poluentes ficaram acima dos limites intermediários ao longo do ano. JP Amaral, gerente de natureza do Instituto Alana e ex-conselheiro do Conama, explica que “a maioria dos poluentes foi avaliada de acordo com o padrão intermediário 2, que passou a vigorar em janeiro e reflete níveis que os estados já vinham atendendo basicamente”.
O levantamento aponta aumento médio de 11% no ozônio, com maiores níveis em Minas Gerais e elevações no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O monóxido de carbono apresentou alta de até 17% em regiões do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco, enquanto o NO₂ cresceu 22% no Rio de Janeiro, com tendência de alta em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. O SO₂ aumentou até 16% no Espírito Santo, com variações positivas também no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O material particulado fino (MP2,5) apresentou redução de até 8,4% em estações de São Paulo, ao passo que o MP10 registrou aumento de até 8% em uma estação escolar de Minas Gerais, indicando risco à saúde respiratória por partículas maiores.
O relatório reforça a necessidade de implementação de planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com controle de emissões, inventários de poluentes e expansão da rede de monitoramento. Apesar do avanço, há limitações na transmissão de dados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr), com 21 estações sem status informado e 75 inativas.
JP Amaral destaca que, mesmo com esses desafios, o relatório representa avanço na governança nacional ao consolidar informações com base na Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024.
Ele ressalta a importância de avançar na implementação da resolução do Conama, na atualização do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar), na definição de níveis críticos de poluição e na elaboração de planos de contingência para episódios de picos de poluentes — aspectos ainda não contemplados pelo estudo, que traz médias anuais e não registros diários extremos.
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