Durante encontro internacional sobre inteligência artificial realizado em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a Organização das Nações Unidas assuma papel central na coordenação das regras globais para o uso da tecnologia. Segundo ele, a rápida expansão da chamada Quarta Revolução Industrial precisa ser acompanhada por mecanismos internacionais capazes de evitar aumento das desigualdades e impactos negativos nas instituições democráticas.
No pronunciamento na sessão plenária da Cúpula de Impacto da IA 2026, Lula afirmou que a sociedade vive um momento decisivo, com avanços tecnológicos acelerados enquanto a cooperação internacional enfrenta fragilização. O evento, realizado entre 19 e 20 de fevereiro no complexo Bharat Mandapam, marcou a primeira edição do fórum sediada por um país do Sul Global.
O presidente destacou que a inteligência artificial pode trazer benefícios relevantes para áreas como saúde, serviços públicos e produção industrial, mas alertou para riscos associados ao uso indevido. Entre eles, citou a disseminação de desinformação, manipulação de processos eleitorais e utilização inadequada de dados pessoais.
Lula também criticou a concentração de infraestrutura digital e de informações em poucas empresas privadas. Para ele, quando algoritmos e grandes bases de dados ficam sob controle restrito, o cenário deixa de representar inovação e passa a significar domínio econômico e tecnológico. O chefe de Estado defendeu um modelo multilateral, inclusivo e voltado ao desenvolvimento, com participação ampla dos países.
O tema foi reforçado por outros líderes presentes. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que decisões sobre inteligência artificial não devem ficar limitadas a um pequeno grupo de nações ou empresas e sugeriu a criação de um fundo internacional voltado a países em desenvolvimento.
Nos bastidores do encontro, Lula manteve reuniões bilaterais. Em conversa com o diretor-executivo do Google, Sundar Pichai, discutiu investimentos da empresa no Brasil e projetos de cooperação tecnológica. O presidente também apresentou o plano nacional de inteligência artificial e estratégias para ampliar infraestrutura digital no país.
Em agenda paralela, o presidente francês Emmanuel Macron convidou Lula para participar da reunião do G7 prevista para junho, na França. Os dois conversaram sobre temas ligados à defesa, ciência e comércio internacional.
Ao encerrar sua participação, Lula afirmou que o Brasil trabalha para que a inteligência artificial contribua para geração de empregos, fortalecimento institucional e soberania tecnológica, defendendo que a regulação internacional respeite diferentes realidades nacionais.
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