A Rússia afirmou que pode suspender ataques aéreos no dia de uma eventual eleição presidencial ucraniana, desde que o país convoque o pleito. A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Mikhail Galuzin, ao retomar posicionamentos anteriores do presidente Vladimir Putin que colocam em dúvida a legitimidade do governo de Volodymyr Zelensky. A proposta surge às vésperas de uma nova rodada de negociações envolvendo Rússia, Estados Unidos e Ucrânia marcada para ocorrer em Genebra.
Segundo Moscou, a realização das eleições poderia abrir caminho para um acordo de paz. Galuzin chegou a sugerir que a Organização das Nações Unidas assumisse temporariamente a administração do país para organizar uma votação considerada “democrática” e permitir a assinatura de um tratado entre as partes. A posição russa, no entanto, é rejeitada por Kiev, que vê a proposta como tentativa de interferência política durante o conflito.
O presidente ucraniano respondeu afirmando que só haverá eleições após um cessar-fogo real e prolongado. Zelensky defende ao menos dois meses sem combates antes de qualquer votação, lembrando que a Constituição do país proíbe eleições sob lei marcial, em vigor desde o início da invasão em larga escala em fevereiro de 2022. Para o governo ucraniano, a prioridade continua sendo garantir segurança mínima à população antes de qualquer processo democrático.
Pesquisas recentes indicam que uma eventual eleição seria disputada. Zelensky aparece à frente nas intenções de voto, mas enfrenta crescimento de candidaturas ligadas ao setor militar, refletindo o impacto direto da guerra no cenário político interno. As conversas diplomáticas previstas para Genebra devem justamente discutir possíveis condições para reduzir a escalada do conflito, embora ainda não haja consenso sobre um caminho viável para um acordo.
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