O príncipe Andrew, do Reino Unido, teria compartilhado informações confidenciais de missões oficiais com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. A revelação consta em documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e citados pelo jornal britânico Daily Mail.
De acordo com os arquivos, Andrew repassou a Epstein detalhes de viagens oficiais realizadas entre 2010 e 2011 a países asiáticos, incluindo Singapura, Vietnã e cidades chinesas como Shenzhen e Hong Kong. À época, ele atuava como enviado comercial do governo britânico e viajou acompanhado por parceiros de negócios ligados ao financista. Após os compromissos oficiais, o então príncipe teria enviado relatórios das visitas diretamente a Epstein.
Os termos de nomeação do cargo de enviado comercial estabelecem a obrigação de confidencialidade sobre informações obtidas durante o exercício da função. O documento ressalta que esse dever se aplica a dados sensíveis de natureza comercial, econômica ou política e permanece válido mesmo após o encerramento do mandato.
Além das viagens à Ásia, Andrew também teria encaminhado ao financista informações sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão, região que estava sob administração das forças armadas britânicas naquele período.
Os arquivos indicam ainda que o ex-príncipe utilizou sua influência para permitir que o jato particular de Epstein pousasse em bases militares do Reino Unido, em dezembro de 2000. Segundo reportagem do jornal The Telegraph, um e-mail agora tornado público registra a admissão do próprio Epstein sobre a autorização para utilizar as bases aéreas RAF Marham e RAF Horsham, normalmente fechadas ao tráfego civil.
A aeronave teria pousado em uma base próxima à residência real de Sandringham, no condado de Norfolk, em 7 de dezembro daquele ano. Epstein e pessoas de sua comitiva permaneceram no local por dois dias, a convite de Andrew.
Na época, o então príncipe ocupava o cargo de comandante ativo da Marinha Real. No entanto, documentos apontam que a autoridade para autorizar pousos na RAF Marham cabia ao comandante da base, o que sugere que Andrew teria recorrido ao seu status como membro da família real, e não à sua posição militar, para contornar as regras vigentes.
As informações fazem parte de um conjunto de cerca de três milhões de páginas de documentos judiciais relacionados a Jeffrey Epstein, divulgados recentemente pelas autoridades americanas.
Em meio ao aumento das controvérsias envolvendo sua relação com o financista, o rei Charles III retirou oficialmente de Andrew o título de Alteza Real, além dos títulos de Príncipe e Duque de York, em outubro do ano passado.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












