Cientistas descobriram que algumas plantas podem produzir moléculas medicinais usando genes normalmente encontrados em microrganismos, e não em vegetais.
O estudo, publicado na revista New Phytologist, revela que a planta Flueggea suffruticosa utiliza um gene semelhante ao de bactérias para fabricar a securinina, um alcaloide com forte atividade biológica e potencial no desenvolvimento de medicamentos.
A descoberta desafia a ideia tradicional de que os alcaloides vegetais são produzidos apenas por caminhos químicos típicos das plantas. Pesquisadores da Universidade de York perceberam que o gene central para a biossíntese da securinina não se assemelha aos genes comuns do reino vegetal, mas sim aos presentes em microrganismos.
Além disso, genes similares foram encontrados em outras espécies, indicando que esse mecanismo pode ser mais comum do que se imaginava.
Segundo os especialistas, o achado abre possibilidades para reproduzir esses compostos em laboratório por meio da biotecnologia, reduzindo a necessidade de cultivo em grande escala ou coleta na natureza. Isso diminui custos, impactos ambientais e permite desenvolver versões mais seguras e controladas desses alcaloides.
Além do potencial farmacêutico, a pesquisa oferece novos insights sobre a evolução das plantas, revelando como elas podem adotar estratégias biológicas de organismos diferentes para se adaptar ao ambiente.
Os resultados podem ainda impulsionar inovações na agricultura e biotecnologia, como o desenvolvimento de espécies mais resistentes e eficientes na produção de substâncias bioativas.
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