O Comando Militar do Leste (CML) inicia nesta segunda-feira (2) a primeira etapa presencial do serviço militar feminino, marcando um momento histórico para o Exército Brasileiro. Ao todo, 159 mulheres começam o processo de incorporação como soldados no Rio de Janeiro.
A fase inicial inclui conferência de documentos, inspeções de saúde e entrevistas individuais. No Rio, parte das atividades ocorre no Palácio Duque de Caxias, sede histórica do CML, localizado no Centro da capital fluminense, onde são realizados os procedimentos administrativos e avaliações previstas no cronograma de seleção.
Além do Rio de Janeiro, o Comando Militar do Leste — que também abrange tropas em Minas Gerais e no Espírito Santo — deverá incorporar outras 63 mulheres em território mineiro, sendo 37 em Juiz de Fora e 26 em Belo Horizonte.
As voluntárias são jovens nascidas em 2007 que optaram pelo alistamento, já que, diferentemente do serviço militar masculino, o ingresso feminino ocorre de forma voluntária. Não há penalidade para quem decide não se alistar. No entanto, após a incorporação, o cumprimento do serviço torna-se obrigatório, seguindo as regras estabelecidas pela legislação militar.
Segundo o Exército, as recrutas terão os mesmos direitos e deveres dos homens. Isso inclui remuneração, assistência médica, auxílio-alimentação, contagem de tempo para aposentadoria e demais benefícios previstos na Lei do Serviço Militar, além da licença-maternidade.
O porta-voz do Serviço Militar Feminino no Rio de Janeiro, major Hugo Chermann, classificou o momento como simbólico para a instituição. Ele destacou que a ampliação da participação feminina reforça o compromisso com igualdade de oportunidades e profissionalismo no processo de seleção.
Atualmente, o Exército já conta com mulheres atuando como oficiais e praças em áreas operacionais e administrativas, além de funções de liderança, chefia e comando, especialmente nos segmentos de saúde, gestão e na linha bélica.
Para a coronel médica Ana Paula Reis, diretora da Policlínica Militar da Praia Vermelha e com quase três décadas de carreira, a incorporação de soldados do segmento feminino representa um avanço estrutural. A expectativa é que, a partir de 2026, mulheres estejam presentes em todos os postos e graduações da carreira militar.
A meta institucional é que, até 2035, o efetivo feminino represente 20% do contingente de soldados. A incorporação atual é considerada o primeiro passo de um processo gradual de ampliação da presença feminina nas Forças Armadas.
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