Após o programa Direto da Redação, da rede Viu Digital, denunciar com exclusividade nesta segunda-feira (9) o suposto envolvimento de um servidor da Prefeitura do Rio de Janeiro nos atos de terrorismo ocorridos em Brasília, ontem (8), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou em nota que Odivan Betcel Bentes, que tem o seu nome citado em grupos de WhatsApp da extrema direita como organizador da caravana do Rio para a capital federal é “servidor público concursado, sem cargo de gestão”.
O nome de Odivan circulou na sexta-feira (6) em troca de mensagens em grupos bolsonaristas, como sendo a pessoa que tinha as informações sobre a caravana que sairia de frente do Comando Militar do Leste, no Centro, onde está montado o acampamento dos extremistas, desde o fim das eleições em outubro do ano passado. A postagem ainda solicita depósitos via PIX para Odilon, como forma de financiar a viagem.
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Saúde do Rio repudiou os atos antidemocráticos e de terrorismo ocorridos em Brasília e destacou que se o seu servidor for indiciado pela Polícia e responder judicialmente, “estará sujeito à abertura de processo administrativo no serviço público municipal, conforme previsto no Estatuto do Servidor Público e demais leis em vigor”.
A pasta informou ainda que Odivan não compareceu hoje ao local de trabalho e terá o dia descontado do salário, assim como em outras eventuais faltas.

A edição do Diário Oficial do Município publicou na edição desta segunda-feira (9) o decreto assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) determinando a desmobilização do acampamento de bolsonaristas em frente ao Palácio Duque de Caxias, do Exército Brasileiro, que fica próximo à Central do Brasil.
Logo após os ataques aos prédios dos Três Poderes no domingo, o chefe do executivo carioca se pronunciou pelas suas redes sociais, classificando os atos como “antidemocráticos” e afirmando que “é inadmissível o que aconteceu em Brasília”.
Disse ainda que se tratava de “terrorismo e atentado à democracia, que deve ser punido com o rigor da lei”. O prefeito afirmou que havia conversado com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL) e adorado medidas de segurança, como a suspensão das folgas e licenças da Guarda Municipal.
Ainda ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou ter identificado os incentivadores dos atos antidemocráticos e citou o nome do empresário do ramo têxtil e bolsonarista Esdras dos Santos. Em uma gravação que também circula em grupos bolsonaristas, Esdras afirma que foi procurado por “o pessoal” de São Paulo e do Rio de Janeiro para acertar como seria a mobilização em Brasília.
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