Sensação de formigamento nas mãos ou nos pés, dormência, câimbras frequentes e manchas na pele que lembram alergia são sintomas comuns e muitas vezes ignorados. No entanto, quando persistentes, esses sinais podem indicar hanseníase, doença infecciosa que ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo.
Durante o mês de janeiro, a campanha Janeiro Roxo reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da hanseníase. A mobilização é promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e busca alertar a população sobre uma enfermidade antiga, mas ainda bastante presente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 170 mil novos casos são registrados anualmente em todo o mundo.
Índia, Brasil e Indonésia concentram o maior número de diagnósticos. No Brasil, são cerca de 22 mil novos casos por ano. A dermatologista Elizabeth Lima, especialista em hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia, explica que a doença atinge principalmente os nervos periféricos, o que pode gerar sequelas graves se não tratada a tempo.
De acordo com a médica, o comprometimento dos nervos pode afetar diretamente a musculatura, levando à perda de força, atrofias e deformidades, conhecidas como “garras”, que podem atingir mãos e pés. Essas alterações podem resultar em limitações motoras permanentes, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.
Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, não apenas para a cura do paciente, mas também para interromper a cadeia de transmissão. Elizabeth Lima destaca que o acompanhamento dos familiares é parte essencial do controle da doença, incluindo a avaliação clínica dos contatos próximos e a aplicação da vacina BCG, quando indicada, como forma de proteção.
Em nível global, a OMS lançou, em 2021, uma estratégia para eliminar a hanseníase como problema de saúde pública até 2030. As ações incluem diagnóstico precoce, tratamento adequado e prevenção de incapacidades. No Brasil, o Ministério da Saúde instituiu, em 2024, a Estratégia Nacional para o Enfrentamento da Hanseníase, com foco na ampliação do acesso ao diagnóstico e na assistência integral aos pacientes.
Os esforços já começam a apresentar resultados. Dados recentes apontam uma redução de cerca de 5% no número de casos no país, reforçando a importância da informação, da vigilância em saúde e do combate ao preconceito que ainda cerca a doença.
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