A Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou um aumento significativo no número de mortes por armas de fogo nos últimos três meses. Entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026, 329 pessoas foram mortas a tiros nos 22 municípios que compõem a capital, o leste metropolitano e a Baixada Fluminense.
O número representa crescimento de 44,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 228 pessoas perderam a vida.
O levantamento é do Instituto Fogo Cruzado, realizado a pedido da Agência Brasil, e inclui vítimas inocentes, criminosos procurados pela polícia e agentes de segurança. Entre os casos, quatro mortes ocorreram por bala perdida, e 23 pessoas ficaram feridas, sendo oito atingidas durante ações policiais.
Segundo o instituto, foram registrados 520 tiroteios no período, dos quais 200 (38,4%) ocorreram durante operações policiais. Esses confrontos resultaram em 210 mortos (68,8%) e 125 feridos (56,8%).
Quase metade das mortes (47,7%) aconteceu em 12 chacinas, sendo oito delas de iniciativa policial. Desde agosto de 2020, início do governo Cláudio Castro, 890 pessoas já morreram em chacinas, segundo dados do Fogo Cruzado.
O aumento da letalidade coincide com a megaoperação policial realizada em 28 de outubro de 2025, que mobilizou 2,5 mil agentes para cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho nos Complexos da Penha e do Alemão.
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) informou que as investigações sobre a operação seguem em andamento e sob sigilo, com depoimentos de policiais, familiares das vítimas e outras testemunhas.
A Agência Brasil buscou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Civil, da Defensoria Pública, da OAB-RJ e do CNJ sobre os impactos da operação na redução de crimes, no controle de territórios e na apreensão de armas e drogas, mas não obteve respostas.
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