O governo do Irã divulgou neste sábado (24) o balanço oficial de mortos registrados durante os protestos antigovernamentais que se espalharam pelo país desde o final de dezembro de 2025. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, ao menos 3.117 pessoas morreram durante os confrontos.
De acordo com o chanceler iraniano, 2.427 vítimas eram civis e integrantes das forças de segurança. Outras 690 pessoas foram classificadas pelo governo como “terroristas”. Os dados foram tornados públicos em uma publicação de Araghchi na rede social X.
Além das mortes, o governo apresentou números sobre os prejuízos causados à infraestrutura do país. Segundo o levantamento oficial, os protestos resultaram na destruição ou danos a 350 mesquitas, 750 bancos, 414 prédios governamentais e 749 delegacias de polícia.
O balanço também inclui danos a 305 ambulâncias e ônibus, cerca de 700 lojas comerciais, 200 escolas, 15 bibliotecas, 800 automóveis e duas igrejas armênias, além de outras propriedades públicas e privadas.
As manifestações tiveram início no fim de dezembro de 2025, em meio a uma grave crise econômica, marcada pela inflação elevada e pelo colapso da moeda nacional. O governo iraniano afirma que os protestos começaram de forma pacífica, mas teriam sido infiltrados por grupos classificados como terroristas.
Teerã atribui a escalada da violência à ingerência estrangeira, apontando Estados Unidos e Israel como responsáveis por estimular a instabilidade no país.
A divulgação dos dados ocorreu em resposta a declarações do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que afirmou que ataques a instituições religiosas ou a agentes federais resultariam em punições severas. Autoridades iranianas interpretaram a fala como parte da retórica de pressão de Washington.
Durante o auge dos protestos, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a incentivar os manifestantes iranianos, afirmando que eles deveriam “assumir o controle” das instituições e prometendo apoio externo. Posteriormente, Trump recuou no tom e declarou que havia desistido de uma ação militar imediata contra o Irã, citando a suspensão de execuções como um fator relevante para a decisão.
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