Uma comitiva dos Estados Unidos desembarcou em Moscou nesta quinta-feira (22) para uma nova rodada de negociações com o presidente russo Vladimir Putin, em um movimento que reacende expectativas de avanço diplomático no conflito entre Rússia e Ucrânia.
A composição da delegação chamou atenção nos círculos internacionais, reunindo figuras próximas ao ex-presidente Donald Trump e um integrante estreante em missões na Rússia.
Além de Steve Witkoff e Jared Kushner, o grupo contou com a participação de Josh Gruenbaum, atual comissário do Serviço Federal de Aquisições da Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos.
Nomeado em janeiro de 2025, Gruenbaum é responsável por coordenar compras governamentais e o compartilhamento de recursos no âmbito federal. Esta é sua primeira visita oficial ao país, tendo sido apresentado pessoalmente a Putin durante o encontro, em gesto registrado por imagens divulgadas pelo Kremlin.
O objetivo da missão norte-americana é discutir possibilidades de um acordo que contribua para o fim da guerra na Ucrânia, além de tratar de outros temas sensíveis da relação entre Washington e Moscou.
Pelo lado russo, participam das conversas o conselheiro presidencial Yuri Ushakov e Kirill Dmitriev, enviado especial da Presidência e diretor-executivo do Fundo Russo de Investimento Direto.
De acordo com informações oficiais do Kremlin, a pauta inclui a situação do conflito ucraniano e a eventual participação de Vladimir Putin no Conselho de Paz, iniciativa criada por Donald Trump com foco na administração do governo da Faixa de Gaza.
A delegação dos Estados Unidos chegou ao aeroporto de Vnukovo por volta das 22h35, no horário local.
Esta é a segunda visita conjunta de Witkoff e Kushner à capital russa, embora Witkoff já tenha mantido encontros anteriores com o presidente russo ao longo de 2025. Moscou afirmou, em nota, que considera o diálogo com os Estados Unidos “necessário, relevante e importante” para a estabilidade internacional.
Putin tem reiterado publicamente que a Rússia está aberta a uma solução diplomática, desde que sejam asseguradas garantias de segurança de longo prazo. Entre as exigências do governo russo estão o fim da expansão da OTAN em direção ao leste europeu e a proteção da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta apresentada por Moscou inclui ainda a retirada das forças ucranianas das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após referendos realizados em 2022, além do reconhecimento desses territórios, da Crimeia e de Sebastopol como parte da Federação Russa.
Também são citadas condições como neutralidade, não alinhamento militar, desmilitarização e desnuclearização da Ucrânia.
O chanceler russo Sergey Lavrov declarou recentemente que os Estados Unidos seriam, no momento, “o único país ocidental disposto a discutir seriamente as causas estruturais do conflito”, sinalizando uma possível abertura para negociações mais profundas.
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