O uso irregular de medicamentos para emagrecimento voltou a gerar preocupação entre autoridades de saúde após uma mulher de 42 anos ser internada em estado grave em Belo Horizonte (MG).
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (21), a paciente utilizou uma caneta emagrecedora adquirida no Paraguai, produto cuja comercialização é proibida no Brasil.
De acordo com a apuração, o medicamento começou a ser utilizado em novembro do ano passado, sem qualquer acompanhamento médico.
A primeira internação ocorreu no dia 17 de dezembro, após a paciente apresentar dores abdominais intensas. Apesar da alta hospitalar inicial, o quadro clínico se agravou nos dias seguintes.
No dia 28 de dezembro, ela precisou ser novamente internada, desta vez com sintomas mais severos, incluindo urina com coloração avermelhada e fraqueza muscular intensa.
A evolução do caso levou ao desenvolvimento de insuficiência respiratória e alterações neurológicas, fazendo com que os médicos classificassem o estado de saúde como grave.
A facilidade de acesso a esse tipo de produto foi destacada por familiares. Segundo relato, medicamentos para emagrecimento sem controle sanitário são vendidos de forma clandestina, sem qualquer orientação profissional ou garantia de segurança.
A equipe médica avalia a possibilidade de a paciente ser portadora de Porfiria Intermitente Aguda, uma doença genética rara que afeta a produção de componentes essenciais da hemoglobina. Especialistas explicam que substâncias de procedência desconhecida podem desencadear crises graves da doença ou agravar quadros já existentes.
De acordo com médicos ouvidos no caso, canetas emagrecedoras exigem processos rigorosos de fabricação, controle de qualidade e armazenamento adequado. Produtos ilegais podem conter substâncias diferentes das anunciadas, doses inadequadas ou até contaminantes perigosos à saúde.
Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu oficialmente a importação, fabricação, distribuição, comercialização e uso de canetas emagrecedoras sem registro no país, justamente pelos riscos associados ao uso indiscriminado e sem prescrição médica.
A orientação é que medicamentos só sejam adquiridos em farmácias autorizadas e utilizados com acompanhamento profissional.
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