A preparação para o início do ano letivo continua a pesar no orçamento das famílias brasileiras, mesmo com o hábito crescente de reaproveitar materiais escolares.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, revela que 8 em cada 10 pais ou responsáveis com filhos em idade escolar reutilizam itens do ano anterior, enquanto a maioria ainda planeja compras significativas para o novo período letivo.
O estudo, baseado em dados da PNAD 2022 do IBGE e entrevistas com 1.500 pessoas em todo o país, analisou hábitos de consumo levando em conta gênero, idade, escolaridade, classe social e região. Apesar do reaproveitamento, 9 em cada 10 famílias afirmam que vão adquirir materiais para 2026, sobretudo itens básicos, como uniformes, livros didáticos e cadernos.
Percepção sobre listas escolares
A pesquisa também avaliou a percepção dos pais sobre a lista de materiais enviada pelas escolas. Para 56%, a relação é considerada adequada; para 42%, excessiva. A secretária Márcia Ferreira explica como a reutilização se tornou uma necessidade financeira, destacando o desperdício de itens que muitas vezes não são usados:
“Sempre foi uma discussão entre os pais. A gente via que muitos itens enviados nunca eram usados. Livros de artes, por exemplo, que não podem ser repassados e acabam indo para o lixo, apesar de estarem novinhos. Então, muitos materiais acabam sendo reaproveitados no ano seguinte. É importante lembrar que pai e mãe trabalham para conseguir comprar o material dos filhos.”
Impacto no orçamento
O levantamento aponta que 88% das famílias afirmam que os gastos escolares impactam o orçamento doméstico, e 84% dizem que os preços influenciam outros setores, como alimentação, lazer e pagamento de contas. Embora o efeito seja sentido em todas as classes sociais, ele é mais intenso entre famílias de menor renda.
O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, detalha a diferença de impacto conforme a classe social:
“Na baixa renda, sobra pouco dinheiro para materiais considerados supérfluos, mesmo quando há algum incentivo governamental. Já nas classes A e B, o material escolar é visto como um agrado às crianças e incentivo aos estudos.”
O estudo revela que entre as classes mais altas (A e B), 32% relatam impacto no orçamento; nas classes D e E, o número sobe para 52%, evidenciando a pressão financeira maior sobre famílias de menor renda.
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