Um ataque aéreo realizado pelos Estados Unidos neste sábado atingiu Caracas e outras três regiões da Venezuela. De acordo com a agência Associated Press, a operação teve duração inferior a 30 minutos e foi ordenada diretamente pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
A ação provocou resposta imediata do governo venezuelano. Em comunicado oficial, Caracas afirmou que “rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar”, classificando o ataque como uma violação da soberania nacional e do direito internacional.
O episódio ocorre em meio a uma escalada de tensões entre os dois países. Desde agosto, os Estados Unidos intensificaram a presença militar próxima ao território venezuelano, com o envio de navios de guerra, submarinos, aeronaves de combate e tropas, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Nesse período, foram registrados bombardeios contra embarcações suspeitas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, que resultaram em dezenas de mortes.
Washington acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar um suposto esquema internacional de tráfico de drogas, alegações que o governo venezuelano nega e classifica como infundadas. Acusações semelhantes também foram feitas contra o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que criticou publicamente os ataques a embarcações na região.
O presidente venezuelano afirma que o verdadeiro objetivo das ações norte-americanas é promover uma mudança de regime no país, visando o controle das reservas estratégicas de petróleo e gás da Venezuela, consideradas entre as maiores do mundo. Maduro também relembra que operações de inteligência estrangeira no país não são recentes e acusa os Estados Unidos de interferência contínua em assuntos internos venezuelanos.
As ações militares dos EUA têm sido alvo de condenação internacional. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou bombardeios anteriores realizados sob o argumento de combate ao narcotráfico, que teriam causado pelo menos 100 mortes. Especialistas da ONU afirmam que algumas dessas operações podem configurar execuções sumárias, em desacordo com normas internacionais.
Governos de países como Brasil, México, Colômbia e Rússia também manifestaram preocupação e repúdio às ações, pedindo respeito à soberania venezuelana e à legalidade internacional.
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