A Guarda Costeira dos Estados Unidos divulgou um vídeo de uma operação antidrogas no Pacífico Oriental que, segundo o órgão, resultou na apreensão de mais de 20 mil libras de cocaína — o equivalente a mais de 9 mil quilos. A corporação afirma que esta é a maior apreensão marítima feita pelo país em mais de 18 anos.
A gravação mostra um atirador de elite em um helicóptero disparando contra uma embarcação de alta velocidade usada por suspeitos. A ação integra a operação Pacific Viper, lançada durante um período de aumento da presença militar norte-americana no Caribe e no Pacífico sob o argumento de reforçar o combate ao narcotráfico internacional.
O governo da Venezuela, porém, classifica essas movimentações como atos de agressão, acusando Washington de usar a justificativa do combate às drogas para tentar ampliar sua influência militar próxima às reservas petrolíferas e de gás do país.
Over 20,000 pounds of cocaine seized by the crew of USCGC Cutter Munro — the largest at-sea interdiction in 18+ years.
Through #OperationPacificViper, @USCG has accelerated counter-narcotics operations across the Eastern Pacific and delivered historic results in the fight… pic.twitter.com/eQkCHeZDzW— U.S. Coast Guard (@USCG) December 5, 2025
Escalada militar e acusações
Em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, caças, um submarino e tropas para a costa venezuelana, alegando intensificar o enfrentamento a grupos ligados ao tráfico. Desde então, várias ações ofensivas foram registradas, incluindo bombardeios contra embarcações consideradas suspeitas no Caribe e no Pacífico, que deixaram dezenas de mortos.
Washington também acusou, sem apresentar provas, o presidente Nicolás Maduro de chefiar um cartel de drogas — acusações que foram igualmente direcionadas ao presidente colombiano Gustavo Petro, que repudiou publicamente as operações letais.
Em outubro, o então presidente norte-americano Donald Trump admitiu ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano. Em resposta, Maduro afirmou que a agência atua no país há décadas: “Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos?”, questionou.
ONU e países da região condenam ataques
As ações têm sido duramente criticadas por organismos internacionais e governos latino-americanos. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, que resultaram em mais de 60 mortes. Especialistas interpretaram os ataques como execuções extrajudiciais, em violação ao direito internacional.
Além da Venezuela, governos de Colômbia, México e Brasil também criticaram as investidas militares e a justificativa apresentada por Washington.
As pressões e operações dos Estados Unidos reacenderam o debate sobre os reais objetivos da presença militar na região, em um momento de tensões crescentes e disputas geopolíticas no Caribe e no Pacífico.
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