Um levantamento recente sobre o comércio de carne exótica em Madagascar revelou que mais de 10 mil lêmures foram vendidos nos últimos quatro anos em 17 cidades do país, segundo reportagem do The New York Times. A demanda pela carne desses primatas cresce principalmente entre pessoas das camadas mais ricas, que consomem o alimento em restaurantes sofisticados e residências de luxo, afastando-se da caça tradicional voltada à subsistência.
Vendedores locais promovem a carne de espécies de lêmures frugívoros como saborosa e nutritiva, alegando que proporciona força e saúde, além de ser “limpa e natural”. Especialistas, porém, afirmam que esses supostos benefícios são mitos, mas que reforçam a demanda e alimentam um mercado ilegal altamente prejudicial às espécies.
Entre os primatas mais ameaçados estão os lêmures arborícolas frugívoros e os lêmures-do-bambu. Esses animais enfrentam múltiplas ameaças: destruição de habitat causada pelo desmatamento para agricultura, construção e produção de carvão vegetal; caça ilegal, proibida há 60 anos; e mudanças climáticas, que alteram ecossistemas e padrões de alimentação.
Os lêmures, primatas conhecidos como prossímios, evoluíram antes dos macacos e símios e são nativos de Madagascar e das Ilhas Comores. Atualmente, existem cerca de 100 espécies, muitas delas endêmicas — encontradas apenas na ilha. Essa exclusividade biológica, combinada à exploração humana e à destruição do habitat, torna os lêmures o grupo de mamíferos mais ameaçado de extinção no mundo.
Especialistas alertam que a situação é agravada pela falta de fiscalização e pela pobreza local, que leva muitos habitantes a depender da caça para sobreviver. Organizações de conservação reforçam que, sem medidas urgentes de proteção e programas de conscientização, essas espécies icônicas podem desaparecer, representando uma perda irreparável para a biodiversidade global.
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