A semana da COP30 marcou um avanço significativo para a conservação da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. O município de Silva Jardim ganhou duas novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), ampliando a proteção de áreas estratégicas para a conectividade ecológica e para a preservação do mico-leão-dourado, espécie ameaçada de extinção.
A primeira delas, a RPPN Parque do Mico II, foi reconhecida na quarta-feira (12) pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A unidade preserva cerca de 70 hectares de floresta em uma área crucial para o fluxo de fauna e flora entre fragmentos da Mata Atlântica.
A segunda, a RPPN Corredor Jennifer Mickelberg, recebeu reconhecimento federal na quinta-feira (13), por meio da Portaria nº 5.048 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (14). Com aproximadamente 100 hectares, a reserva presta homenagem à bióloga Jennifer Mickelberg, que dedicou sua carreira à conservação do mico-leão-dourado e à proteção da Mata Atlântica.
Ambas as áreas são administradas pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), que há mais de 30 anos atua na preservação da fauna, da flora e dos corredores ecológicos da região.
RPPN Parque do Mico II
Localizada na Fazenda Perdida, a reserva reforça a proteção em uma das regiões mais sensíveis para a sobrevivência do mico-leão-dourado, contribuindo para integrar os fragmentos florestais e ampliar a área de vida da espécie. A nova unidade se soma à RPPN Parque do Mico, criada em setembro de 2024, também gerida pela AMLD.
RPPN Corredor Jennifer Mickelberg
Instalada na Fazenda Santo Antônio, no distrito de Gaviões, a reserva foi adquirida com apoio das organizações Rainforest Trust e DOB Ecology, além da colaboração da ONG Save the Golden Lion Tamarin (SGLT) no processo de restauração florestal — trabalho realizado com participação ativa da comunidade local.
Avanço para a conservação
Com a criação das duas novas unidades, Silva Jardim passa a abrigar três RPPNs sob gestão da AMLD, consolidando-se como um dos principais territórios de conservação da Mata Atlântica e da sobrevivência do mico-leão-dourado em liberdade.
“Foram muitos esforços para tornar esse momento possível”, destacou Luis Paulo Ferraz, secretário-executivo da AMLD. Ele agradeceu o apoio das instituições envolvidas e ressaltou o papel do projeto GEF Áreas Privadas, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, que tem contribuído para conectar a paisagem na Bacia do Rio São João.
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