Em 2023, o Brasil perdeu mais de 40% da água tratada antes que chegasse às torneiras, segundo dados do Instituto Trata Brasil. O desperdício, equivalente a 7,257 bilhões de metros cúbicos — quase três milhões de piscinas olímpicas — poderia suprir a demanda extra prevista para as próximas décadas sem a necessidade de novas captações.
De acordo com dados divulgados pelo jornal O Globo na terça-feira (28), algumas localidades registram perdas superiores a 80% da produção. As principais causas incluem falhas técnicas na rede de abastecimento, como vazamentos e desvios, infraestrutura precária e falta de planejamento. Cerca de 60% da água perdida se deve a vazamentos, enquanto o restante resulta de furtos e erros de medição.
A previsão é que a demanda nacional de água chegue a 17,2 bilhões de metros cúbicos em 2050, um aumento de 59,3% em relação a 2023. O Marco do Saneamento estabelece a meta de reduzir as perdas para 25% até 2033, o que poderia economizar bilhões de metros cúbicos anualmente. Cidades como Campinas e Goiânia são apontadas como exemplos de boa gestão, com planejamento de longo prazo e redução consistente do desperdício.
Estudos com dados de 5.570 municípios entre 2008 e 2023 mostram que o consumo é impulsionado principalmente pela renda per capita e pelo grau de urbanização, enquanto o preço da tarifa tem influência limitada. Além disso, o aumento previsto de 1 °C na temperatura média até 2050 deve elevar a demanda em 12,4% acima do crescimento populacional — mais de 2 bilhões de metros cúbicos adicionais por ano.
O cenário acende um alerta sobre o risco de racionamento, com a média nacional podendo chegar a 12 dias sem abastecimento por ano, e mais de 30 dias em regiões de menor precipitação, como partes do Nordeste e do Centro-Oeste. A intensificação de eventos climáticos extremos reforça a necessidade urgente de uma gestão hídrica mais eficiente em todo o país.
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