O Japão elegeu, pela primeira vez em sua história, uma mulher para ocupar o cargo mais alto do governo. Sanae Takaichi, de 64 anos, foi escolhida nesta terça-feira (21) como primeira-ministra do país, após vencer a disputa interna no Partido Liberal Democrata (PLD) — legenda que comanda a política japonesa há décadas.
Takaichi obteve 185 votos contra 156 do ex-ministro Shinjiro Koizumi no segundo turno da eleição partidária, realizada após a renúncia do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, ocorrida no início de setembro. Ao garantir a liderança do PLD, ela foi automaticamente nomeada para o cargo de chefe do Executivo, como determina o sistema político japonês.
A vitória de Takaichi marca um momento histórico em uma nação onde a presença feminina em posições de poder político ainda é rara. Sua eleição quebra um ciclo de décadas de liderança masculina, em um sistema marcado por fortes traços patriarcais e dinastias políticas.
Do interior ao topo do governo
Natural da cidade de Nara, Sanae Takaichi vem de uma família de classe média: filha de um operário de fábrica e de uma policial. Ela entrou na política em 1993, aos 32 anos, como deputada independente, e construiu sua trajetória com nove mandatos consecutivos na Câmara Baixa do Parlamento japonês.
Ao longo da carreira, ocupou cargos importantes nos governos do PLD, incluindo os ministérios da Igualdade de Gênero, Questões Demográficas e, mais recentemente, o de Segurança Econômica sob a gestão de Fumio Kishida.
Apesar de sua linha conservadora em temas como segurança nacional e política externa, Takaichi é vista como uma figura que contrasta com o perfil tradicional do político japonês. Ex-baterista de uma banda de heavy metal na juventude, ela ainda mantém o hábito de carregar baquetas consigo, e nunca escondeu sua admiração por Margaret Thatcher, a quem considera uma inspiração política.
Desafios à frente
Agora no comando do governo japonês, Takaichi terá pela frente um conjunto de desafios complexos: desde a estagnação econômica crônica, passando pela queda na taxa de natalidade e o envelhecimento populacional, até a pressão internacional por reformas estruturais.
Além disso, deverá lidar com uma sociedade ainda reticente a mudanças culturais profundas, especialmente no que se refere à igualdade de gênero e inclusão social.
Mesmo assim, sua ascensão ao cargo de primeira-ministra já representa uma mudança simbólica significativa na política japonesa, e pode abrir caminho para maior participação feminina no poder.
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