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Reta final da exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade” no IMS Paulista

Mostra reúne mais de 900 fotografias feitas por indígenas e revela o cotidiano, a memória e a resistência do povo paiter suruí. Visitação vai até 2 de novembro, com entrada gratuita.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
18/10/2025 - 12:42
em Cultura
Exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade” entra na última semana no IMS Paulista. Projeto reúne mais de 900 fotos feitas por indígenas e apresenta uma narrativa viva do povo paiter.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Segue em cartaz até o dia 2 de novembro no IMS Paulista, em São Paulo, a exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade”, um mergulho no cotidiano, nas memórias e na resistência do povo paiter suruí, que habita terras indígenas em Rondônia e Mato Grosso.

Com curadoria coletiva do Coletivo Lakapoy, a mostra apresenta mais de 900 fotografias — muitas delas feitas pelos próprios indígenas desde a década de 1970, quando tiveram os primeiros contatos com câmeras, por meio de missionários. O acervo ocupa todas as paredes do salão principal do instituto e compõe um mosaico visual que desafia estereótipos sobre os povos originários.

São Paulo (SP), 16/10/2025 - Exposição Paiter Suruí, Gente de Verdade. Um projeto do Coletivo Lakapoy, no IMS Paulista. Foto: Maria Clara Villas/IMS - Maria Clara Villas/IMS
São Paulo (SP), 16/10/2025 – Exposição Paiter Suruí, Gente de Verdade. Um projeto do Coletivo Lakapoy, no IMS Paulista. Foto: Maria Clara Villas/IMS 

“Cada imagem tem uma história. Tirar uma da parede seria como apagar parte da nossa história”, explica Ubiratan Gamalodtaba Suruí, primeiro fotógrafo profissional paiter e responsável por grande parte da coleta e organização do material.

O projeto nasceu com o objetivo de evitar que a cultura paiter fosse retratada de maneira distorcida ou apropriada indevidamente. Para isso, os próprios indígenas narraram suas fotos, sem intermediações, muitas vezes em primeira pessoa. O resultado é uma exposição que não apenas documenta, mas reconta a história pelo olhar de quem a vive.

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Cultura viva e imagens inesperadas

Quem visita a exposição pode se surpreender com o conteúdo das imagens. Longe do imaginário folclórico comum, há registros de festas de aniversário infantis com refrigerante, bolo e salgadinhos, casamentos com noiva de vestido branco e noivo de terno, além de retratos com roupas de cetim e óculos escuros — cenas que ajudam a desconstruir a visão estereotipada do “índio tradicional”.

Há também intervenções nas fotos, como colorizações feitas com canetinha hidrocor, feitas pelos próprios indígenas. Esse gesto reforça o caráter de “arquivo vivo” da mostra. “A fotografia não é apenas um registro fixo do passado. Ela pode ser atualizada, editada, assim como a memória também é”, afirma a curadora Lahayda Mamani Poma, indígena aymara.

Ela destaca, ainda, que o projeto se diferencia por seu caráter político, diplomático e artístico. “Para reunir esse acervo, os fotógrafos visitaram aldeia por aldeia, recebendo as imagens diretamente das famílias, que confiaram ao coletivo a tarefa de digitalizar e compartilhar essas memórias.”

História, resistência e olhar indígena

Além de fotógrafo, Ubiratan Suruí é hoje coordenador de políticas públicas indígenas no governo de Rondônia. Ele saiu da aldeia aos 16 anos para concluir os estudos na cidade e descobriu na fotografia uma ferramenta de resistência e de preservação cultural. No início, fazia registros de reuniões e artesanatos de sua comunidade com câmeras simples, mas, com o tempo, percebeu o impacto político dessa produção visual.

Em 2016, participou da equipe do documentário “Ex-Pajé”, dirigido por Luiz Bolognesi, que denuncia o extermínio da espiritualidade tradicional indígena e teve grande repercussão no Brasil e no exterior.

A curadoria da exposição é compartilhada por Txai Suruí, ativista indígena e filha do cacique-geral Almir Narayamoga Suruí, figura central no movimento indígena brasileiro, e pelo curador do IMS, Thyago Nogueira.

“Gente de Verdade” é também um projeto em construção

Ubiratan ressalta que a exposição é apenas o começo. Até agora, foram visitadas cinco ou seis aldeias — de um total de cerca de 40. A meta é continuar o trabalho e expandir o acervo para incluir mais histórias e fotografias.

“A gente quer envolver todos. Porque é uma forma de recontar nossa história a partir de nós mesmos, com nossas vozes e nossos olhares”, conclui.

Serviço

Exposição: Paiter Suruí, Gente de Verdade – Um projeto do Coletivo Lakapoy
Local: Instituto Moreira Salles (IMS Paulista) – Avenida Paulista, São Paulo
Data: Até 2 de novembro de 2025
Horário: Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Entrada: Gratuita

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Tags: #ArteIndígena#ColetivoLakapoy#CulturaIndígena#ExposiçãoSP#FotografiaIndígena#IMSPaulista#MemóriaIndígena#PaiterSuruí#PovosOriginários#TxaiSuruí
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