O Porto Digital, instalado no centro histórico do Recife, reúne centenas de empresas de TI e economia criativa — com mais de 21 mil profissionais — e transforma a paisagem urbana enquanto retém e forma talentos na região.
No coração do Recife, casarões coloniais do século XVII abrigam hoje ambientes modernos, equipados com tecnologia de ponta e voltados para o futuro. O contraste entre história e inovação define o Porto Digital, que em 2025 celebra 25 anos de existência como um dos principais polos de tecnologia e economia criativa do país.
Localizado no bairro do Recife Antigo, o Porto Digital reúne 475 empresas, entre startups e gigantes multinacionais como Accenture, Deloitte, Capgemini (França) e NTT Data (Japão). Juntas, essas organizações empregam mais de 21 mil pessoas, movimentando uma economia baseada em inovação, software, inteligência artificial, logística e games. “Cinco das dez maiores empresas de tecnologia da informação do mundo, em número de profissionais, estão hoje no Porto Digital”, destaca Silvio Meira, professor emérito da UFPE e um dos idealizadores do projeto, ao lado do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).

O engenheiro Eduardo Peixoto, atual CEO do CESAR, ilustra o impacto da iniciativa. “Quando me formei, não havia mercado. A saída era São Paulo, Nova York ou China. Voltei em 2002 para ajudar a consolidar o projeto e criar uma economia capaz de reter e atrair talentos.”
Esse esforço começa a dar frutos. Segundo o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, a cidade formou 1.400 profissionais de tecnologia em 2024, número próximo ao de grandes centros como São Paulo. “Temos hoje 4,5 mil alunos em formação, com cursos rápidos e experiências diretas nas empresas instaladas aqui”, afirma. Apesar dos resultados, há críticas à política de incentivos. As empresas recebem redução de ISS de 5% para 2% como estímulo para se instalarem no bairro histórico. Para Peixoto, é hora de repensar o modelo. “Essas empresas contratam os talentos locais. Por que não destinar 0,5% do que ganham em renúncia fiscal para formação profissional? Isso beneficiaria o próprio ecossistema”, defende.
Mesmo com a renúncia fiscal, o Porto Digital já representa a terceira maior fonte de receita do Recife, com um faturamento de R$ 6,2 bilhões em 2024. A prefeitura não divulgou o valor total da renúncia concedida às empresas.
Rec’n’Play: cultura, tecnologia e inovação para todos
Como parte das comemorações, o festival Rec’n’Play 2025 acontece entre os dias 15 e 18 de outubro, com mais de 700 atividades gratuitas espalhadas por 83 espaços, 30 prédios, sete palcos e 37 ativações de rua no Recife Antigo. A expectativa é de atrair mais de 90 mil pessoas.
Promovido pela Ampla Comunicação, Porto Digital e Sebrae-PE, o evento reforça o papel do polo como um espaço de convergência entre tecnologia, cultura e inclusão social. Silvio Meira resume o impacto do Porto Digital: “Cada nova empresa traz métodos, processos e conhecimento. Isso gera um ciclo virtuoso de aprendizagem e desenvolvimento que beneficia não apenas os profissionais, mas toda a cidade.”
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