A ativista ambiental Greta Thunberg afirmou às autoridades suecas que está sofrendo maus-tratos sob custódia israelense após ser detida em uma flotilha que transportava ajuda humanitária para Gaza. Em correspondência obtida pelo Guardian, diplomatas relataram que a jovem sueca foi mantida em uma cela infestada de percevejos, com acesso limitado a comida e água, além de longos períodos em condições degradantes.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suécia, Thunberg relatou episódios de desidratação e erupções cutâneas, supostamente causadas pelas más condições da prisão. Outro detido afirmou ter visto a ativista sendo obrigada a segurar bandeiras desconhecidas enquanto era fotografada por agentes israelenses.
Thunberg está entre os 437 ativistas, parlamentares e advogados que integravam a Global Sumud Flotilla (GSF), uma coalizão internacional de mais de 40 embarcações cujo objetivo era desafiar o bloqueio marítimo imposto por Israel à Faixa de Gaza há 16 anos. Todos os barcos foram interceptados entre quinta e sexta-feira, e os tripulantes levados para a prisão de alta segurança de Ketziot, no deserto de Negev.

A ONG Adalah, que representa parte dos detidos, denunciou a violação sistemática de direitos fundamentais, incluindo falta de água potável, saneamento, medicamentos e acesso imediato a advogados. A equipe jurídica italiana que acompanha a flotilha afirmou que os presos ficaram horas sem alimentação, relatando ainda episódios de abuso verbal e físico.
Durante visita ao porto de Ashdod, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, classificou publicamente os ativistas como “terroristas”, em vídeo divulgado por sua equipe. Ele já havia defendido que os participantes fossem presos, e não apenas deportados.
Essa é a segunda vez em 2025 que Thunberg é detida em uma ação semelhante. Em junho, outra flotilha com destino a Gaza foi interceptada e resultou na prisão temporária e deportação dos ativistas.
O governo sueco confirmou que a ativista recebeu aconselhamento jurídico e foi convidada a assinar documentos pelas autoridades israelenses, mas recusou por não compreender o conteúdo. Até o momento, o Serviço Prisional de Israel, as Forças de Defesa e o Ministério das Relações Exteriores do país não responderam aos pedidos de comentário sobre as acusações.
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