O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Hamas um ultimato de “três ou quatro dias” para aceitar seu plano de paz e reconstrução em Gaza, alertando que o grupo militante “pagaria caro” caso rejeitasse a proposta, enquanto a ofensiva israelense continuava e resultava em mais vítimas civis.
O plano foi apresentado em coletiva de imprensa conjunta em Washington com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e busca encerrar a guerra que já dura dois anos. Apenas na terça-feira, hospitais em Gaza registraram a morte de 31 palestinos.
Trump afirmou que o Hamas enfrentaria sérias consequências caso não assinasse o acordo. “Temos uma assinatura da qual precisamos, e essa assinatura vai custar caro se eles não assinarem”, disse durante encontro com generais e almirantes americanos em Quântico, Virgínia.
Netanyahu reiterou que Israel teria total apoio dos EUA para continuar a guerra caso o Hamas rejeite o plano. A proposta de 20 pontos prevê o desarmamento do grupo, a proibição de qualquer papel político futuro em Gaza e a instalação de uma autoridade transitória liderada por tecnocratas, sob supervisão direta de Trump. O acordo também exige a libertação dos 48 reféns israelenses mantidos pelo Hamas, com retirada gradual das tropas israelenses e aumento da ajuda humanitária.
O Hamas ainda não se manifestou oficialmente, afirmando apenas que o plano será discutido internamente e com aliados armados. Uma fonte do grupo disse à AFP que “vários dias” seriam necessários devido às complexidades de comunicação entre lideranças políticas e militares.

O plano conta com apoio de Turquia, Egito e Catar, que podem pressionar o Hamas, enquanto líderes palestinos aliados expressaram ceticismo. A Jihad Islâmica alertou que o acordo poderia gerar novas agressões contra os palestinos.
Em Israel, o plano foi bem recebido por parte da mídia e políticos, embora ministros de extrema direita tenham criticado a proposta, ameaçando abandonar a coalizão caso a ofensiva seja interrompida sem garantir “vitória total”.
Líderes internacionais, incluindo Alemanha, França e Rússia, manifestaram apoio ao plano, enquanto países do Oriente Médio, como Jordânia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar e Egito, se comprometeram a colaborar para viabilizar o acordo.
Enquanto isso, a ofensiva israelense prossegue em Gaza. Tanques avançaram na Cidade de Gaza, com bombardeios atingindo bairros residenciais, resultando em mortes e ferimentos de civis, incluindo crianças. Autoridades de saúde relatam que a fome e a desnutrição já causaram 453 mortes, sendo 150 crianças.
A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, após ataque do Hamas a Israel que matou 1.219 pessoas, a maioria civis, e deixou mais de 250 reféns. Desde então, os conflitos deixaram 66.055 palestinos mortos e mais de 160.000 feridos, com grande parte de Gaza reduzida a escombros.
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