A interdição da refinaria Refit no Brasil, a apreensão de navios com combustíveis russos importados ilegalmente e as investigações por sonegação de impostos no âmbito da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, ANP e Receita Federal estão lançando uma sombra sobre os negócios do mega sonegador Ricardo Magro.
As ações das autoridades brasileiras não apenas abalaram suas operações no país, mas também ecoaram na mídia norte-americana, levantando preocupações sobre suas atividades nos Estados Unidos, especialmente no Estado do Texas, onde ele controla uma refinaria que enfrenta problemas semelhantes.
Este cenário complexo, que remonta a menções nos infames Panama Papers, sugere que Magro, que tem cidadania norte-americana, pode estar prestes a enfrentar um cerco internacional sem precedentes. Para as autoridades dos EUA, não restam mais dúvidas de que o empresário transaciona com a Rússia, mesmo o país estando sob sanção rígida, assim como as empresas com as quais negocia.
Carbono Oculto e a queda da Refit
A recente Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Receita Federal, representa o capítulo mais recente e contundente na longa história de controvérsias envolvendo Ricardo Magro e suas empresas.
A operação investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que teria conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do Brasil. Segundo as investigações, a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, controlada por Magro, seria a principal fornecedora de combustível para a Rodopetro, uma empresa suspeita de ser usada pelo PCC para lavar dinheiro do crime.
A ação das autoridades culminou na interdição da refinaria da Refit no Rio de Janeiro. A ANP justificou a medida alegando uma série de irregularidades, incluindo a suspeita de que a empresa estaria “fingindo” a produção de combustível para burlar impostos.
A agência constatou que a Refit importava derivados de petróleo e simplesmente os misturava, sem realizar o processo de refino adequado, uma prática que, além de configurar fraude fiscal, compromete a qualidade do combustível comercializado. Além disso, a Receita Federal reteve 91 milhões de litros de óleo diesel, avaliados em mais de R$ 290 milhões, destinados à Refit, aprofundando a crise na empresa.
Magro, que vive em Miami desde 2016, nega as acusações e se diz vítima de perseguição por parte de grandes players do setor de combustíveis, como a Cosan. Em entrevistas, ele afirma que controla a venda do combustível da Refit para que não seja destinado a empresas irregulares e que todos os fatos serão esclarecidos na justiça.
No entanto, seu histórico não joga a seu favor. O empresário já foi alvo de um mandado de prisão internacional em 2016 e seu nome foi citado nos Panama Papers, o vazamento de documentos que revelou um esquema global de lavagem de dinheiro por meio de empresas offshore em paraísos fiscais.
Repercussões nos EUA: Imprensa do Texas de Olho em Magro
As investigações no Brasil não passaram despercebidas pela imprensa norte-americana, especialmente no Texas, onde Magro controla a Longview Gas Plant.
Veículos como o Tyler Morning Telegraph e o Longview News-Journal publicaram reportagens detalhando as acusações contra o empresário e os problemas em suas operações locais, gerando preocupação entre a comunidade e as autoridades.

Uma matéria do Tyler Morning Telegraph, intitulada “Businessman behind Longview Gas Plant targeted in Brazilian police operation”, destaca que a polícia brasileira suspeita que Magro tenha orquestrado um “esquema expansivo de lavagem de dinheiro e evasão fiscal supostamente conectado ao Primeiro Comando da Capital”.
A publicação também menciona o estilo de vida luxuoso de Magro em Miami, onde adquiriu uma mansão que pertenceu ao astro da NBA LeBron James, e seu histórico de problemas com a justiça brasileira, incluindo um mandado de prisão internacional em 2016 e seu envolvimento no escândalo dos Panama Papers.
Outro artigo, publicado no fórum GoHaynesvilleShale.com e originado do News-Journal, foca nos graves problemas de segurança na Longview Gas Plant. Sob o título “Employees say lax safety protocols at Longview Gas Plant are a disaster waiting to happen”, a reportagem relata um ambiente de trabalho caótico e uma “atitude arrogante em relação à segurança por parte da propriedade brasileira”.
Funcionários, sob condição de anonimato por medo de retaliação, descrevem uma série de incidentes alarmantes, incluindo a morte de um trabalhador, dois incêndios e um derramamento de óleo.
A matéria aponta que a agência federal de segurança e saúde ocupacional (OSHA) multou a empresa de Magro, J. Global Energy (JGE), em mais de US$ 43.000 por violações de segurança após a morte de um soldador em uma explosão em uma de suas instalações.
Essas publicações pintam um quadro preocupante das operações de Magro nos EUA, sugerindo que o descaso com a lei e a segurança, que marcam suas atividades no Brasil, pode estar sendo replicado em solo americano.
A atenção da mídia local deve motivar uma ação mais rigorosa por parte das autoridades norte-americanas, que agora têm motivos de sobra para investigar a fundo os negócios do magnata brasileiro em seu território.
O cerco se fecha: Um futuro incerto para Ricardo Magro
A convergência das investigações brasileiras e a crescente atenção da mídia norte-americana colocam Ricardo Magro em uma posição cada vez mais delicada.
As acusações de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no Brasil, somadas às preocupações com a segurança e a gestão de suas operações nos EUA, desenham um cenário de crescente pressão legal e reputacional. O histórico de Magro, que inclui menções nos Panama Papers e investigações anteriores, reforça a percepção de um empresário que opera à margem da lei.
Com a Operação Carbono Oculto expondo a profundidade de suas supostas atividades ilícitas no Brasil e a imprensa do Texas revelando falhas graves em suas operações nos EUA, o futuro de Ricardo Magro parece incerto.
As autoridades norte-americanas, especialmente no Texas, onde a Longview Gas Plant tem sido alvo de críticas por protocolos de segurança laxistas, podem intensificar suas próprias investigações, transformando o cerco internacional em uma realidade inescapável para o magnata do petróleo. A era de impunidade para Ricardo Magro pode estar chegando ao fim, com consequências que podem se estender muito além das fronteiras brasileiras.











