O cientista político Gabriel Rezende, doutor pela PUC-Rio, avalia que o movimento bolsonarista vive um período de enfraquecimento no cenário político nacional. Em entrevista à Agência Brasil, ele defendeu que a tentativa frustrada de golpe de Estado e o papel do Judiciário no enfrentamento de tendências autoritárias aceleraram a perda de força da chamada “quarta onda populista” no país.
Rezende lançará, no início de outubro, o livro A ascensão do populismo de direita no Brasil (Editora Appris), fruto de sua tese de doutorado. A obra analisa o populismo como um fenômeno político que surge em momentos de crise e destaca que o Brasil já viveu quatro ondas populistas: a primeira entre as décadas de 1930 e 1960; a segunda, nos anos 1990, com Fernando Collor; a terceira, de esquerda, marcada por lideranças como Evo Morales, Chávez e Kirchner; e a quarta, mais recente, representada pelo bolsonarismo.
Segundo o pesquisador, crises política, econômica e social entre 2013 e 2016 criaram a “tempestade perfeita” para a ascensão de Jair Bolsonaro. Entre os elementos que sustentaram o movimento, ele cita o discurso moralizante da Lava Jato, a mobilização religiosa, o apoio do agronegócio, o uso estratégico das redes sociais e a aproximação com os militares.

Para Rezende, o desgaste atual abre espaço para disputas internas sobre quem herdará o legado político do ex-presidente. “Vemos figuras como Michelle Bolsonaro, Silas Malafaia, os filhos de Bolsonaro e até Tarcísio de Freitas se movimentando nesse campo”, observou.
Ele pondera, no entanto, que a política brasileira segue em constante transformação. “Na política, uma semana é um mundo. Até 2026, muitas mudanças ainda podem acontecer”, afirmou.
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