Uma menina de seis anos foi resgatada em situação de cárcere privado na última sexta-feira (29) em Sorocaba, no interior de São Paulo. A criança vivia isolada dentro da própria casa, no bairro Jardim Santa Esmeralda, onde morava com o pai e a mãe. O caso veio à tona após uma denúncia anônima feita por vizinhos, que levou o Conselho Tutelar e a Polícia Civil até o local. Os pais foram presos na quinta-feira (4) e vão responder pelo crime de cárcere privado.
De acordo com os relatos das autoridades que participaram do resgate, a menina estava em estado de abandono extremo. Ela não frequentava escola, não recebia atendimento médico, não falava e se comunicava apenas por meio de sons. Alimentava-se exclusivamente de comidas líquidas e vivia completamente sem contato com o mundo exterior.
“Quando nos encontramos com ela, estava muito apática. O cabelo tinha um nó único, como se nunca tivesse sido lavado. Ela ficou deslumbrada com tudo, com o mundo, como se nunca tivesse saído da casa”, relatou Lígia Guerra, conselheira tutelar responsável pelo caso.

Reprodução/Redes Sociais
Durante a ação, três celulares foram apreendidos na residência, incluindo o aparelho que era usado pela criança. Segundo o Conselho Tutelar, o histórico de navegação do dispositivo continha diversas pesquisas com conteúdo pornográfico. A menina, segundo os relatos, passava longos períodos sozinha, com acesso irrestrito ao celular. Exames realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML) descartaram sinais de abuso sexual.
A casa onde a menina vivia apresentava poucas condições de higiene e conforto. Ela dormia em um colchão no chão junto dos pais e possuía apenas alguns brinquedos simples. A conselheira relatou que a criança demonstrava fascínio por objetos comuns, como um alarme de incêndio, que chegou a quebrar por curiosidade.
O comportamento dos pais durante a visita das autoridades também chamou atenção. O pai recebeu os conselheiros aos gritos, enquanto a mãe, segundo a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), “parecia não entender a gravidade da situação”. Informações colhidas no local indicam que a mulher dependia do marido para qualquer tipo de comunicação com o exterior e só podia retornar para casa após vender os pães produzidos por ele.
A família materna relatou que não via a menina desde que ela tinha seis meses de idade. Também foi revelado que a mulher já havia abandonado um outro filho, hoje com 21 anos, que foi criado pelos avós.
A delegada Renata Zanin, responsável pela investigação, aguarda os laudos médicos detalhados para avaliar os danos causados pelas condições em que a criança foi mantida. Os próximos passos envolvem a continuidade das investigações, escuta especializada da vítima e possível encaminhamento para atendimento psicossocial.
O caso mobilizou equipes do Conselho Tutelar, Polícia Civil e serviços de proteção à infância. A criança já foi acolhida por serviços especializados e está sendo acompanhada por profissionais da rede de proteção.
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