Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, aponta que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) recebeu cerca de R$ 3,4 bilhões em descontos de aposentadorias entre 2016 e janeiro de 2025, mesmo após o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ter sido alertado sobre irregularidades.
De acordo com a CGU, o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Contag, vigente há três décadas, foi renovado em agosto de 2024, apesar de auditoria indicar que 97,6% dos beneficiários não autorizaram os descontos. A amostra do levantamento incluiu 1.347 entrevistas, das quais 1.312 relataram não ter autorizado a cobrança.
O relatório também destaca que alertas apresentados por procuradores do INSS, apontando ações judiciais contra a entidade, não foram considerados antes da renovação do acordo. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que “97% desse dinheiro, pela amostragem, eram de pessoas que foram roubadas”.
A diretora de auditoria de previdência e benefícios da CGU, Eliane Viegas Mota, informou que o INSS foi comunicado sobre o esquema em 2019 e novamente em julho de 2024. Embora quatro acordos tenham sido suspensos, dois foram reativados posteriormente.
Em nota, a Contag contestou os dados, afirmando que a amostragem de seis entrevistas não representa os mais de 1,3 milhão de associados. Segundo a entidade, a arrecadação não se destina integralmente à Confederação, sendo distribuída a mais de 3 mil sindicatos e federações filiadas, garantindo apoio e serviços às comunidades agrícolas. A entidade também reforçou estar aberta ao diálogo e à colaboração com órgãos de controle.
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