Os tubarões são reconhecidos como predadores implacáveis e eficientes, com dentes afiados e fortes, desenvolvidos ao longo de milhões de anos. No entanto, um novo estudo conduzido por pesquisadores alemães revela que a acidificação dos oceanos, causada pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO₂), pode comprometer essa “ferramenta” essencial para sua sobrevivência.
A acidificação oceânica ocorre porque cerca de um quarto do CO₂ emitido pela atividade humana é absorvido pelos mares, formando ácido carbônico que reduz o pH da água. Segundo as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), se as emissões continuarem na taxa atual, o pH dos oceanos pode cair dos atuais 8,1 para 7,3 até o ano 2300 — uma mudança significativa que altera a química marinha e afeta diversos organismos.
Para testar os efeitos dessa alteração, os cientistas recolheram dentes naturais de tubarões-de-ponta-negra em um aquário na Alemanha e os expuseram a dois ambientes simulados: um com pH atual (8,2) e outro com pH previsto para 2300 (7,3). As análises em microscópios de alta potência mostraram que os dentes expostos à água acidificada sofreram corrosão severa, com rachaduras, buracos e desgaste especialmente na raiz e nas fileiras secundárias, essenciais para rasgar presas.
A corrosão danifica a estrutura dos dentes, deixando suas bordas irregulares e menos afiadas, o que pode reduzir a eficiência do tubarão na caça e afetar seu equilíbrio energético e saúde geral. Embora o estudo tenha sido feito com dentes já desprendidos, outros trabalhos indicam que tubarões vivos podem apresentar algum grau de reparação biológica.
Mesmo assim, o resultado demonstra que a fluoroapatita, mineral resistente que compõe os dentes dos tubarões, não é totalmente imune à corrosão causada pela acidificação oceânica, apontando para um futuro desafiador para esses predadores marinhos.
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