A Justiça de São Paulo concedeu uma liminar que garante, por 180 dias, a permanência do Teatro de Contêiner Mungunzá e do Coletivo Tem Sentimento no imóvel pertencente à prefeitura, localizado na região da antiga Cracolândia, no centro da capital.
A decisão foi assinada pela juíza Nandra Martins da Silva Machado, da 5ª Vara da Fazenda Pública, e suspende ações de desocupação e incursões da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no espaço.
Na liminar, a magistrada destacou que o teatro, composto por 15 contêineres marítimos interligados e com estrutura complexa de desmontagem, possui programação cultural confirmada até dezembro. Segundo ela, a retirada imediata causaria prejuízos para artistas, educadores e a comunidade que frequenta o espaço.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o terreno faz parte de um projeto de revitalização da região e que ali será construído um prédio com 95 habitações populares e área de lazer. A gestão municipal informou ainda que ofereceu ao grupo uma nova área de 1.043 m² na Rua Helvétia, a menos de 1 km do local atual.
O prefeito Ricardo Nunes declarou nesta sexta-feira (22) que desconhecia a decisão judicial, mas ressaltou que a administração já destinou recursos públicos ao teatro e que a remoção é necessária para viabilizar a habitação social.
A polêmica ganhou força após uma ação da GCM na última terça-feira (19), quando artistas foram retirados à força de um prédio anexo ao teatro. O episódio gerou protestos de artistas, do Ministério da Cultura e da Funarte, que repudiaram a ação.
Atrizes como Marieta Severo e Fernanda Montenegro, além do ator Antônio Fagundes, se manifestaram em defesa da continuidade do Teatro de Contêiner, ressaltando sua importância cultural e social para São Paulo.
O Teatro de Contêiner Mungunzá está instalado no terreno desde 2016 e reivindica que o espaço seja destinado oficialmente à Secretaria de Cultura, para regularizar sua permanência.
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