A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou neste sábado (16), no Rio de Janeiro, que o momento atual exige ação concreta e imediata na luta contra a crise climática. Em referência à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será sediada em Belém, no Pará, em novembro de 2025, Marina declarou que “agora, só tem um caminho: implementar”.
A declaração foi feita durante o evento The Climate Reality Project, liderado pelo ex-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore, com foco na mobilização política para ações climáticas.
Ao ser questionada pela imprensa sobre as expectativas para a COP30, Marina Silva destacou que os compromissos já assumidos pelos países precisam sair do papel. “É preciso agora implementar os compromissos que nós já assumimos por consenso. Assumimos em Dubai, no Azerbaijão: US$ 1,3 trilhão para financiamento climático, triplicar a energia renovável, duplicar a eficiência energética, nos afastar dos combustíveis fósseis, combater o desmatamento e viabilizar os recursos para perdas e danos. Tudo isso já foi decidido”, afirmou.
A ministra alertou que o planeta chegou ao limite após mais de três décadas de negociações climáticas. “Vivemos uma crise civilizatória. Os líderes mundiais preferem guerrear entre si do que declarar guerra a uma ameaça planetária. São 500 mil vidas perdidas a cada ano só em função de ondas de calor. Em dois anos, as ondas de calor mataram mais do que a covid-19”, disse.
Marina também reforçou que o sucesso da COP30 depende de planejamento robusto para a próxima década, com foco em manter o aquecimento global dentro da meta de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. “Se o Acordo de Paris nos levou ao caminho das regras e da negociação, agora tem que nos levar ao caminho da implementação”, destacou.
Exploração de terras raras e comunidades tradicionais
Questionada sobre os recursos de terras raras em áreas ocupadas por comunidades indígenas e quilombolas, a ministra reafirmou o apoio aos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que alterou as regras de licenciamento ambiental no Brasil, transformado na Lei nº 15.190.
“A decisão do presidente Lula de vetar dispositivos que retiravam o direito de manifestação das comunidades tradicionais sobre empreendimentos em seus territórios é parte dessa resposta ética e política”, afirmou.
Para Marina Silva, qualquer proposta técnica precisa respeitar os modos de vida dos povos que preservam os biomas e contribuem para o equilíbrio ambiental. “Não se pode olhar apenas para a demanda. É preciso ter um crivo ético do lado da oferta. O Brasil precisa levar essas exposições concretas para a COP, como um verdadeiro legado”, concluiu.
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