O governo federal deve anunciar nesta semana um pacote emergencial para conter os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, articulada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, prioriza o diálogo e a solução negociada, evitando retaliações comerciais.
Na última quarta-feira, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, somando-se à alíquota já existente de 10%. Segundo o plano em elaboração, as ações devem se concentrar em três frentes:
- Linhas de crédito — uma voltada a exportadores diretamente afetados e outra para empresas impactadas indiretamente;
- Compra pública de perecíveis sem licitação, para abastecer programas como restaurantes populares;
- Adiamento de tributos federais por até dois meses, aliviando a pressão financeira sobre as empresas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou oito propostas emergenciais, incluindo crédito especial do BNDES com juros reduzidos.
Além das medidas econômicas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terá na quarta-feira uma reunião virtual com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para tentar reduzir tensões. O diálogo deve abordar a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusação feita por Bessent no mês passado, e buscar alternativas para evitar novos atritos comerciais.
Segundo cálculos do governo, 44,6% das exportações brasileiras para os EUA ficaram fora do tarifaço — setores como petróleo, suco de laranja, aviões e celulose mantêm a taxa anterior de 10%. No entanto, a CNI alerta que o impacto macroeconômico é significativo e que as barreiras tarifárias podem reduzir o PIB americano em 0,37%, afetando também parceiros comerciais como Índia e China.
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