O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira (23) que as contas bancárias de sua esposa foram bloqueadas por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em publicações nas redes sociais, o parlamentar classificou a medida como “arbitrária” e alegou não ter sido oficialmente citado nos inquéritos que tramitam contra ele.
Até o momento, o STF não se manifestou sobre a nova acusação feita por Eduardo.
Na segunda-feira (21), o deputado já havia informado que suas próprias contas bancárias, chave Pix, bens móveis, imóveis e até seu salário como parlamentar também foram bloqueados. Segundo apurou o Estadão, as medidas fazem parte da estratégia da Polícia Federal (PF) para restringir as ações do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está nos Estados Unidos.
Medidas patrimoniais como resposta à limitação da extradição
A PF considerou que, diante da baixa eficácia de pedidos de extradição de brasileiros residentes nos EUA, como evidenciado em casos anteriores relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, ações patrimoniais seriam mais eficientes.
Segundo investigadores, Eduardo recebeu cerca de R$ 2 milhões do pai, Jair Bolsonaro, para custear sua estadia nos EUA durante o período das investigações. A suspeita é de que pai e filho tenham articulado com integrantes do governo Donald Trump sanções econômicas contra o Brasil, em retaliação a decisões do STF.
Essas articulações teriam culminado na imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas por Trump no início de julho. O bloqueio de contas e bens de Eduardo seria uma tentativa de dificultar sua atuação internacional enquanto as investigações prosseguem.
Retaliação e agravamento da crise
Após as medidas contra Bolsonaro, os EUA anunciaram retaliações diplomáticas, incluindo a suspensão dos vistos de entrada no país de Alexandre de Moraes, seus familiares e aliados próximos — uma reação que ampliou a tensão entre os dois países.
O episódio soma-se ao aprofundamento da crise institucional e diplomática envolvendo Judiciário, Executivo e o cenário internacional, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu círculo mais próximo.
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