Alterações na visão, na capacidade muscular e no equilíbrio. Esses são os principais sintomas da Esclerose Múltipla (EM), doença neurológica, possivelmente autoimune, que atinge o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) promovendo surtos esporádicos.
O diagnóstico precoce é fundamental para inibir a evolução da doença e, dessa forma, proporcionar maior qualidade de vida aos seus portadores.
“Com o diagnóstico precoce da esclerose múltipla é possível iniciar o tratamento de forma rápida e, consequentemente, obter resultados capazes de frear a evolução da doença. Por isso, é fundamental o paciente procurar um neurologista logo que notar os primeiros sinais”, enfatiza do neurologista Thiago Aguiar, do Hospital Badim. O especialista explica que alguns sintomas são temporários, durando cerca de uma semana.
Aguiar comenta que, na sua fase inicial, a esclerose múltipla causa pequenas turvações da visão e alterações no controle da urina, devido ao descontrole do esfíncter.
Com a evolução da doença, outras manifestações vão surgido: fraqueza, formigamento nas pernas ou de um lado do corpo, visão dupla ou perda visual prolongada, desequilíbrio, tremor. Podem aparecer ainda alterações ligadas à fala e deglutição, fadiga e problemas no trato urinário e digestivo.
O neurologista Fernando Figueira, chefe do serviço no Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF) e membro Titular Emérito da Academia Brasileira de Neurologia, enfatiza que a esclerose múltipla é uma doença potencialmente incapacitante.
“Os surtos iniciais, em geral, evoluem com remissão completa ou quase completa dos sinais e sintomas, porém à medida em que o processo evolui podem restar sequelas, sejam motoras, sensitivas ou cognitivas. Estas podem impactar, inclusive, a capacidade laborativa do paciente”, esclarece o médico.
Manter a rotina e as atividades profissionais pode retardar o aparecimento de alguns sintomas com o passar do tempo e servir como um o treinamento cognitivo. “Pacientes com EM devem ser orientados por seu médico assistente e dentre estas recomendações, é importante a adesão rigorosa ao tratamento e a manutenção, na medida do possível, de suas atividades da vida diária, inclusive as laborais”, comenta o especialista.
Segundo o neurologista, a prevalência estimada da EM no Brasil varia de acordo com a região, mas a doença encontra-se na faixa de 10 a 15 casos por cada 100.000 habitantes, muitos deles ainda não tiveram o diagnóstico da enfermidade ou acesso a um especialista e tratamento.
“Não há um sintoma característico e o diagnóstico depende de um conjunto de dados colhidos pelo especialista, compondo o que chamamos de ‘critérios diagnósticos’, formados por um conjunto de dados clínicos, de laboratório e de imagem, que são permanentemente atualizados por reuniões de consenso em painel internacional”, conta Figueira.
Causas da doença
A predisposição genética pode ser um dos fatores que desencadeiam a esclerose múltipla. Somado a essa condição, questões ambientais como infecções virais, mais especificamente do vírus Epstein-Barr, pouca exposição ao sol, que pode baixar os níveis de vitamina D, além do tabagismo, obesidade, dentre outros agentes, podem alterar o sistema de defesa do organismo, passando gerar inflamações.
Figueira explica que a EM não é uma doença geneticamente determinada, no entanto, ela apresenta traços genéticos que podem gerar uma suscetibilidade e risco adicional para o desenvolvimento da enfermidade. “Como em toda doença crônica, a família pode ser mais ou menos impactada. Fornecer informação clara e compreensível ao paciente e a seus familiares deve fazer parte da abordagem do especialista. A necessidade de acompanhamento psicológico deve ser determinada pelo médico assistente avaliando, individualmente, cada situação”, afirma o médico.
Tratamentos disponíveis
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade John Hopkins (EUA) revelou que dietas ricas em verduras e frutas podem melhorar os sintomas da esclerose múltipla. Os cientistas descobriram ao adotar uma dieta saudável, o paciente passa a ter 20% menos chances de sofrer com incapacidades físicas graves.
O tratamento da doença visa abreviar a sua fase aguda, além de aumentar o intervalo entre as crises, através do uso de corticosteroides, imunossupressores e imunomoduladores. Assim, o portador da esclerose múltipla consegue manter uma rotina ativa.












