A Suprema Corte da Argentina confirmou nesta terça-feira (10) a condenação por corrupção da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, encerrando qualquer possibilidade de recurso judicial no país. A decisão a torna inelegível e pode levá-la à prisão, a menos que obtenha uma medida cautelar internacional.
Cristina, que atualmente preside o Partido Justicialista (PJ), havia anunciado sua candidatura a deputada pela província de Buenos Aires nas eleições de setembro. Com a decisão, está legalmente impedida de disputar o pleito. É a primeira vez na história recente da Argentina que uma ex-presidente tem sua candidatura bloqueada por decisão judicial definitiva.
A ex-mandatária foi condenada a seis anos de prisão e inabilitação perpétua para exercer cargos públicos no caso conhecido como Causa Vialidad, que investigou desvios em contratos de obras na província de Santa Cruz durante seus governos. A acusação sustenta que ela liderou um esquema de favorecimento ao empresário Lázaro Báez com recursos públicos.
Durante evento do Partido Justicialista na noite anterior à decisão, Cristina criticou o governo Milei e antecipou o teor da sentença:
“Acham que vão resolver tudo me prendendo. Estarei presa, mas o povo vai continuar piorando.”
Ela também atacou o Judiciário, chamando a Suprema Corte de “guarda pretoriana do poder econômico” e denunciou um processo de perseguição judicial e política.
A defesa da ex-presidente anunciou que levará o caso à Corte Internacional de Haia.
“Levamos a voz de milhões que já não encontram justiça em seu próprio país”, declarou o advogado Gregorio Dalbón.
O processo foi alvo de questionamentos desde o início. Fotos e mensagens revelaram vínculos entre o juiz Rodrigo Giménez Uriburu, o procurador Diego Luciani e o ex-presidente Mauricio Macri, adversário político de Cristina. Os envolvidos chegaram a ser vistos jogando futebol juntos em propriedades do ex-presidente.
Apesar das denúncias de parcialidade, o processo seguiu até a condenação e agora à confirmação pela Suprema Corte. Cristina Kirchner nega todas as acusações e afirma ser alvo de lawfare, o uso do sistema judicial como arma de perseguição política.
A decisão representa um marco no cenário político argentino e reacende debates sobre o papel do Judiciário e a democracia no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da RT. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












