Os países da América do Sul estão dando uma guinada à esquerda, uma onda que começa a restabelecer laços entre governos, que foram desatados em função da onda liberal que pairou sobre alguns países do continente a partir de 2018.
Um dos resultados desse redesenho político no continente, foi demonstrado na 60ª Cúpula do Mercosul, realizada em 21 de julho, quando Chile e Bolívia retomaram o diálogo para normalizar as relações diplomáticas.
Os dois países mantinham um confronto no campo da diplomacia desde 1978, devido a uma disputa de acesso ao mar.
O mesmo acontece nas relações entre Bolívia e Colômbia, após a eleição do novo presidente colombiano Gustavo Petro. Após anos de conflito, os dos países concordaram em construir uma agenda de trabalho para reatar a diplomacia. A Colômbia também já deu os primeiros passos para normalizar as relações com a vizinha Venezuela.
“A integração regional precisa ser entendida como política de Estado que se propõe a criar mecanismos para a articulação de interesses e compromissos entre os países”, destaca Robson Valdez, pesquisadores do Núcleo de Estudos Latino-Americanos (NEL) da Universidade de Brasília (UNB), em entrevista à agência Sputnik.
O Brasil é o próximo país do continente em que a esquerda pode surfar nessa tendência de mudança. O presidente Jair Bolsonaro (PL) disputa reeleição, mas o seu oponente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lidera as pesquisas de intenção de votos.
Na pesquisa mais recente, da Genial/Quest, Lula aparece com 42% das intenções de votos e Bolsonaro com 43%, uma diferença de pontos entre os dois. O resultado acendeu um sinal de alerta entre os petistas, porque mostra uma reação de Bolsonaro após o início do pagamento de benefícios sociais como Bem Taxista, Bem Caminhoneiro, além da ampliação de beneficiários e reajuste do Auxílio Brasil.
Na América do Sul, antes de Chile e Colômbia, Argentina e Peru também fizeram a opção preferencial por governos de esquerda, assim como a Venezuela reelegeu Nicolás Maduro.
Para o analista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Paz, também ouvido pela Sputnik, o novo polo de poder liderado por China e Rússia pode ajudar essa nova integração no continente. Ele é analista de inteligência qualitativa no Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV.
“Um conjunto de países mais à esquerda avançou bastante na institucionalização da região. “O [Gustavo] Petro estendeu o braço e o [Nicolás] Maduro está disposto a conversar. É muito interessante, até porque, de fato, eles têm uma visão de mundo parecida. Provavelmente veremos uma situação na qual a Colômbia deixará de condenar tanto as atitudes da Venezuela como vínhamos vendo no passado”, disse Paz.
A eleição no Brasil vai ocorrer em outubro e na próxima semana alguns Institutos estarão divulgando resultado de novas rodadas de pesquisa de intenção de votos.











