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Hospital federal no Rio reabre 100 leitos após mudança de gestão

Em 2024, governo mudou administração de quatro das seis unidades.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
17/01/2025 - 18:48
em Cidade
Hospital federal no Rio reabre 100 leitos após mudança de gestão

Imagem: reprodução

O Hospital Federal de Bonsucesso, um dos seis que pertencem ao Ministério da Saúde na cidade do Rio de Janeiro, reabriu 100 leitos nesta sexta-feira (17). A unidade é um dos quatro hospitais em que a pasta trocou a gestão ao longo de 2024, com o objetivo de melhorar o atendimento à população.

Referência em especialidades como transplantes e nefrologia, o hospital, que fica no bairro de Bonsucesso, na zona norte da cidade, sofreu mudança de gestão em outubro. A administração era feita diretamente pelo Ministério da Saúde e passou a ser controlada pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC).

Na ocasião, dos 412 leitos existentes, mais da metade – 218 – estavam fechados por motivos que iam de falta de funcionários e equipamentos a questões de infraestrutura predial. O funcionamento da unidade era aquém da capacidade, com o atendimento de emergência suspenso há seis anos.

Desde então, o GHC passou a receber verbas do ministério e tinha o objetivo de reabrir leitos e a emergência dentro de 90 dias, prazo que se esgotaria no domingo. Foram feitos investimentos como cabeamento de energia, instalação de seis grandes geradores, contratação de funcionários, compra de equipamentos e obras no prédio de 42 mil metros quadrados de área construída.

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“Vou dar um exemplo: telhados onde chovia dentro”, citou o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello. Em 2020, um incêndio forçou a retirada de quase 200 pacientes que estavam internados no hospital.

Ao todo, o ministério vai investir R$263,7 milhões no Hospital Federal de Bonsucesso, sendo R$45,5 milhões em 2024 e R$218,29 milhões em 2025.

Dos 100 leitos reabertos, 88 são de enfermaria, que atinge 80% de sua capacidade, sendo 58 no bloco cirúrgico, 20 clínicos e dez de pediatria. Doze são de unidades de terapia intensiva (UTI).

A emergência ainda não foi reaberta. A expectativa da direção é restabelecer o atendimento emergencial e entregar mais 118 leitos até o fim deste mês de janeiro.

O GHC é uma empresa pública vinculada ao ministério e tem histórico de atuação em Porto Alegre, onde está à frente de quatro hospitais, além de postos de atendimento.

Referência

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, visitou as instalações remodeladas nesta sexta-feira, entre elas a UTI e a sala de exames de imagens, fechadas desde 2020, onde foram instalados aparelhos de raio-x e tomografia, que estavam sem utilização em corredores do hospital.

Para a ministra, hospitais federais não são um problema. “São uma solução para vários problemas de saúde especializados, quando se precisa do hospital, do ambulatório e das consultas”, disse Nísia.

“Será uma das principais referências no Rio”, afirmou a ministra. Ela acrescentou que o hospital reúne condições para “mais acesso a especialistas e para reduzir o tempo de espera para exames e para consultas”. Além disso, continuou, “quando é necessária a cirurgia, pode fazê-la”.

A superintendente do hospital, Elaine Lopez, afirmou que, além da entrega de mais 118 leitos até o fim do mês, foi possível remanejar estruturas, de forma que a capacidade do hospital comporte 423 leitos. Além disso, a gestora prometeu expansão.

“Ao longo do ano, a gente ainda vai abrir mais leitos”, afirmou a jornalistas ao visitar uma UTI. Ao comentar sobre a recuperação da capacidade instalada, Elaine informou que, na quinta-feira (16), já foi possível a unidade realizar uma cirurgia cardíaca de complexidade.

“Já fizemos cirurgia cardíaca, fizemos o transplante de córnea em uma criança essa semana, o transplante renal está andando muito bem, o que é simbólico, é um dos poucos lugares no Rio de Janeiro que faz transplante em criança e adulto”, descreveu Elaine Lopez.

Resistência inicial

A decisão do governo de passar a administração do Hospital Federal de Bonsucesso para o GHC foi criticada à época pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social no Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev/RJ), que reclamou de falta de diálogo do governo com os servidores.

A categoria chegou a fazer um movimento que impediu a entrada nos novos gestores no hospital. Por causa da resistência, o novo comando demorou uma semana para conseguir assumir a unidade.

Na entrega dos 100 leitos, o diretor-presidente do GHC afirmou que retomou o diálogo com categorias, destacando o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem. “É o maior sindicato aqui. Temos quase 1 mil trabalhadores auxiliares técnicos de enfermagem”, disse.

Barichello informou que, em 60 dias, foram contratados 1,8 mil dos cerca de 2,5 mil funcionários que vão compor a força de trabalho do hospital. Segundo ele, em 30 dias, o GHC comprou R$ 30 milhões em equipamentos, o que inclui mobiliário, mesas cirúrgicas, monitores, ventiladores mecânicos, carrinhos e eletrocardiógrafo. Os recursos foram destinados pelo Ministério da Saúde.

A ministra Nísia Trindade afirma que foi acertada a decisão do governo de criar o Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais e retirar da pasta a administração direta de algumas unidades, passando para uma empresa especializada. “Não dá para fazer gestão de hospitais do gabinete de Brasília, isso é um erro.”

Nísia Trindade ressaltou que o Hospital Federal de Bonsucesso é primordial para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro, inclusive atendendo pacientes de municípios da região metropolitana, notadamente da Baixada Fluminense.

À Agência Brasil, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, estimou que a reabertura do hospital em Bonsucesso deve reduzir em cerca de 20% a fila de espera por leitos da capital, que beira 495 pessoas.

Mudança na rede federal

Além do hospital administrado pelo GHC, a rede do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro conta com mais cinco unidades: Hospital Federal do Andaraí, Hospital Federal Cardoso Fontes, Hospital Federal de Ipanema, Hospital Federal da Lagoa e Hospital Federal dos Servidores do Estado.

O plano de reestruturação da pasta decidiu pela fusão do Hospital dos Servidores com o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. A intenção é criar um hospital universitário em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Os hospitais do Andaraí e Cardoso Fontes foram repassados à prefeitura. As duas unidades devem reabrir 214 leitos, chegando ao total de 700 em funcionamento em ambas. O ministério repassa recursos para que a prefeitura faça a administração, por meio de empresas especializadas na área. Foram repassados R$ 150 milhões à prefeitura. Além desse pagamento, está prevista a incorporação de R$610 milhões de teto MAC (atendimento de média e alta complexidade) para a cidade do Rio de Janeiro.

O secretário Daniel Soranz informou que espera reabrir as emergências de ambos no início de fevereiro. “A ministra e o prefeito [Eduardo Paes] estão na minha cola”, afirmou ao lado de Nísia.

Segundo o secretário, 42 leitos já foram reabertos no Andaraí, que também terá de volta o setor de radioterapia. E, de acordo com a ministra, a fila de espera no Cardoso Fontes foi reduzida em 92%.

Perguntada pela Agência Brasil sobre a administração dos hospitais federais da Lagoa e de Ipanema, Nísia afirmou que apresenta uma situação “muito mais positiva” e que estuda como dar melhores condições, “sempre em uma visão de parceria”.

“Muitas vezes, passa a ideia de que é uma distribuição dos hospitais, mas não, é um trabalho sólido, consistente, para atender mais. Não faz sentido mexer em nenhum hospital se não for para dar o mesmo padrão ou melhor atendimento. Tudo está sendo feito para ser melhor”, declarou.

*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da Agência Brasil. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.

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Tags: #Bonsucesso#Hospital federal#Ministra da Saúde#Rio
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