Seis meses depois de ser resgatada de um sumiço que durou 45 dias e mobilizou o Brasil, a cadelinha Pandora continua em tratamento médico, mas o seu quadro não apresenta gravidade e ela está com outra aparência, mais forte e restabelecida. A
história que comoveu o país teve início em 15 de dezembro de 2021, quando a Pandora e o seu tutor, o pernambucano Reinaldo Júnior, embarcam no voo da Gol que saiu do Recife (PE) para Navegantes (SC) e na conexão no Aeroporto de Guarulhos (SP), a cadelinha, por um descuido da companhia aérea, desaparece da caixa de transporte. Sumida por 45 dias, Pandora foi resgatada desnutrida e desidratada, necessitando de tratamento médico.
Pelas imagens das câmeras de segurança do aeroporto, divulgada pela imprensa, é possível ver a Pandora circulando livremente pelo Terminal de Cargas, pelo pátio onde transitam as aeronaves, até que um funcionário abre o portão de acesso ao terminal e a cachorrinha caminha em direção à rodovia. Segundo Reinaldo, a Gol não ofereceu o apoio necessário e ele teve que contar com a solidariedade de milhares de pessoas que o ajudaram em uma campanha online criada para encontrar a Pandora.
A cadela foi descoberta em uma área próxima ao terminal de cargas, 45 dias após o seu sumiço, por um funcionário do aeroporto. Ele enviou um vídeo para a família e o reconhecimento foi feito pela mãe de Reinaldo, que rapidamente foi ao local resgatar o animal.
Em entrevista ao DG, Reinaldo Júnior conta como tem sido a sua rotina em São Paulo com a Pandora. Ele relembra os dias de angústia por conta do desaparecimento da sua filha, como se refere à cadelinha, revela as mudanças na sua vida em função do caso e apresenta o novo membro de quatro patas da família, o Thor, encontrado durante as buscas.
ENTREVISTA/ Reinaldo Júnior
DG – Na época que foi encontrada, a Pandora estava muito debilitada e teve que passar por tratamento médico, como está hoje?
Reinaldo Jr. – A Pandora foi encontrada com doze quilos e oitocentos quando o peso normal dela era de vinte quilos e quinhentos. Ela ainda continua fazendo o tratamento, por isso ficamos em São Paulo. Devido a essas circunstâncias a minha vida parou e da minha mãe também. O tratamento dela está tendo progresso, ela está reagindo bem, a clínica [que a Pandora está se tratando] é maravilhosa, um tratamento de excelência.
DG – É verdade que a Pandora ganhou um irmão?
Reinaldo Jr. – Sim, o Thor. Quando a gente estava procurando pela Pandora, no dia 28 de dezembro, ele estava fugindo dos fogos e debilitado. Na verdade, ele que nos adotou, veio atrás do nosso carro e naquele momento e a gente não estava com cabeça para nada, mas mesmo assim ficamos com ele, que veio para aumentar a família. Ele é muito bonzinho também. A Pandora que fica com muito ciúmes (risos).
DG – Na época em que a Pandora desapareceu, você deu entrevistas afirmando que estava prestes a deixar o Brasil, porque tinha recebido uma proposta de trabalho em outro país, mas pelo jeito muita coisa mudou na sua vida e vocês acabaram permanecendo em São Paulo. Quais são os seus planos agora?
Reinaldo Jr. – A gente estava a caminho de Joinville [na viagem que a Pandora desapareceu] e Navegantes seria o aeroporto mais próximo. Lá, a gente ia aguardar a quarentena dela até 17 de janeiro, então, no dia 25 a gente estaria embarcando para a Suíça, dentro do prazo que eu havia assumido compromissos profissionais. Assim que aconteceu o acidente com a Pandora eu desisti de tudo e avisei a quem estava me esperando na Suíça que estava abrindo mão [da oportunidade de trabalho] para buscar a minha filha. A gente continua em Guarulhos até hoje, por causa do tratamento dela, que é lento, não é só a medicação, a doença do carrapato tem que ter avaliações, retorno em 90 dias para novos exames. Na medida do possível, ela está bem e melhorando. Enquanto isso, consegui outra ocupação, estou fazendo passeio com os dogs, hospedo também, e agora surgiu uma oportunidade para trabalhar na minha área, como chapeiro.
DG – O processo contra a Gol está tramitando, certo?
Reinaldo Jr. – Sim, não desisti. Disseram que ela [Pandora] tinha estourado a caixa de transporte, o que ficou provado o contrário em pericia que a casinha dela estava intacta, inclusive na imprensa também foi mostrado isso. E quando eu tentei uma conversa com a empresa, pedindo apoio, me negaram, me torturaram psicologicamente, diziam que não tinham imagem, então tive que ir à Justiça e buscar formas de me manter aqui.
DG – Depois de tudo que vivenciou e tirou de lição com o caso da Pandora, quais conselhos você dá para os tutores que estão planejando viajar com os seus pets?
Reinaldo Jr. – Que eles busquem se informar. Por falta de conhecimento, eu não sabia que havia a possibilidade dela [Pandora] viajar comigo na cabine, por meio de um pedido judicial, isso é direito da gente e temos que exigir, para evitar casos como o da Pandora. A gente sabe que nem todos os casos que acontecem em aeroportos e rodoviárias têm o mesmo final feliz que tivemos, depois de 45 dias dela sumida. Foi um milagre, porque estamos em um estado enorme. Foi uma experiência nada agradável, ficamos perdidos, mas Deus honrou e Guarulhos nos abraçou, os protetores compartilhando [a campanha], assim como o Brasil todo, vinha mensagens até de outros países.
*Da edição impressa do Diário da Guanabara.












