A Netflix atribuiu à disputa fiscal com autoridades brasileiras a principal razão para seu desempenho financeiro abaixo do esperado no terceiro trimestre de 2025. A informação foi divulgada em relatório aos investidores nesta terça-feira (21), logo após as ações da empresa caírem 7% na bolsa de Nova York, o que representou uma perda de cerca de US$ 15 bilhões em valor de mercado.
Segundo a plataforma de streaming, a margem operacional ficou em 28%, abaixo da projeção anterior de 31,5%. A diferença, explicou a empresa, foi provocada por uma “disputa em andamento com as autoridades fiscais brasileiras”, que não estava contemplada nas previsões do trimestre.
O impacto financeiro foi significativo: a Netflix reconheceu uma perda de US$ 619 milhões relacionada à questão fiscal. O valor foi lançado como custo da receita, reduzindo diretamente o lucro líquido da companhia, que ficou em US$ 2,5 bilhões — o equivalente a US$ 5,87 por ação — no período entre julho e setembro.
Apesar do impacto, a empresa reforçou que a disputa não está ligada aos rendimentos diretos da companhia no país e que não deverá afetar significativamente os resultados futuros. “As análises tributárias envolvidas são não relacionadas aos ganhos da empresa”, informou a Netflix, sem dar mais detalhes.
O pagamento em questão se refere ao período compreendido entre 2022 e o terceiro trimestre de 2025, e, segundo a empresa, já foi provisionado em seus balanços contábeis.
A disputa fiscal surge em um momento de maior atenção global à atuação de grandes empresas de tecnologia em diferentes jurisdições fiscais. O Brasil tem reforçado a cobrança de tributos sobre serviços digitais, especialmente de empresas com operações transnacionais.
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