A inteligência artificial voltou ao centro do debate internacional após especialistas, vencedores do Prêmio Nobel e representantes de instituições acadêmicas divulgarem um manifesto em defesa de regras mais rígidas para o uso da tecnologia em aplicações militares. O documento foi apresentado nesta quinta-feira (16), em Roma, ao fim da Assembleia Global dos Prêmios Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear, realizada durante dois dias no Borgo Laudato si’.
Batizada de Declaração de Roma por uma Paz Desarmada e Desarmante, a iniciativa reúne cientistas, pesquisadores, ex-chefes de Estado e representantes de universidades de diferentes países.
O grupo alerta que o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial pode ampliar desigualdades, concentrar poder, provocar impactos no mercado de trabalho e aumentar os riscos em cenários de tensão entre nações que possuem armas nucleares.
No texto, os participantes defendem que governos estabeleçam mecanismos de fiscalização mais rigorosos sobre sistemas autônomos de inteligência artificial. Também pedem que empresas responsáveis pelo desenvolvimento dessas tecnologias observem normas do direito internacional e respeitem princípios ligados aos direitos humanos.
Controle humano sobre armamentos nucleares
Um dos principais pontos do manifesto é a defesa de que a decisão de lançar armas nucleares jamais seja transferida para sistemas automatizados. Segundo os signatários, o uso desse tipo de armamento deve permanecer sob responsabilidade exclusiva de seres humanos, evitando que algoritmos assumam funções críticas relacionadas à segurança global.
O documento ainda propõe a negociação de um tratado internacional para impedir a integração inadequada da inteligência artificial aos sistemas de comando, controle e lançamento de armamentos nucleares.
Outra preocupação destacada é o risco de utilização da IA em ataques cibernéticos direcionados a instalações e infraestruturas nucleares consideradas estratégicas, cenário que, segundo os especialistas, exige cooperação internacional e medidas preventivas.
Tecnologia também pode gerar benefícios
Apesar dos alertas sobre os riscos, a declaração reconhece que a inteligência artificial pode trazer contribuições relevantes quando desenvolvida e utilizada de forma responsável.
Entre os benefícios apontados estão o avanço de pesquisas científicas, melhorias na área da saúde, fortalecimento das ações de preservação ambiental e maior capacidade de resposta das sociedades diante de desafios globais.
Os participantes também sugerem a criação de uma estrutura internacional de governança para acompanhar o desenvolvimento da inteligência artificial. A proposta inclui o fortalecimento do Painel Científico Internacional Independente das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial e a criação de um ambiente seguro para compartilhamento de dados em benefício da comunidade internacional.
Apelo por desarmamento
O manifesto manifesta apoio ao apelo do papa Leão XIV em favor de uma “paz desarmada e desarmante” e reforça a necessidade de retomada das negociações internacionais voltadas à redução dos arsenais nucleares.
Ao encerrar o documento, os signatários afirmam que a cooperação entre os países, aliada ao uso responsável da inteligência artificial, será fundamental para reduzir os riscos de conflitos e preservar a segurança das futuras gerações.
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