Especialistas em segurança digital alertam que plataformas de jogos online, como Discord e Roblox, podem servir não apenas como ambientes de entretenimento, mas também como porta de entrada para práticas de crimes virtuais entre jovens.
A avaliação é do delegado pernambucano Sérgio Luiz Oliveira dos Santos, pesquisador em cibersegurança do CESAR.
Segundo o especialista, muitos adolescentes começam cometendo pequenas infrações dentro dos próprios jogos, como uso de trapaças, pirataria ou invasão de contas para obter vantagens virtuais.
Com o tempo, parte deles acaba desenvolvendo habilidades que podem evoluir para crimes digitais mais complexos.
Dentro dessas plataformas, a comercialização de itens virtuais movimenta um mercado paralelo bastante ativo. Skins, acessórios, poderes especiais e recursos cosméticos podem alcançar valores elevados, especialmente em jogos competitivos.
O usuário Bruno Vilela, frequentador do Discord, explica que em títulos como Counter-Strike há itens personalizados extremamente valorizados entre jogadores.
Ele afirma que alguns usuários aprendem técnicas de programação ou invasão de contas para roubar esses itens digitais, prática considerada comum em determinados ambientes online.
Para o delegado Sérgio, esse processo pode funcionar como uma escalada criminosa. Segundo ele, muitos começam tentando burlar sistemas dos jogos, depois passam a piratear conteúdos, monetizar atividades ilegais e, posteriormente, buscar formas de ocultar os ganhos, o que pode levar a fraudes financeiras mais sofisticadas envolvendo PIX, boletos falsos e criptomoedas.
Apesar disso, o pesquisador ressalta que grande parte dos criminosos virtuais possui conhecimento técnico limitado. Muitos utilizam ferramentas prontas adquiridas em fóruns clandestinos, como kits de phishing e programas maliciosos desenvolvidos por terceiros.
Ainda assim, frequentemente deixam rastros digitais por falhas na ocultação da identidade ou pelo uso inadequado de softwares.
Além dos rastros técnicos, Sérgio destaca que muitos suspeitos acabam expondo sinais de enriquecimento nas redes sociais, compartilhando fotos de veículos de luxo, festas e viagens com informações de localização e datas.
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado global de games. Segundo dados do World Population Review, o Discord registrou mais de 51 milhões de contas brasileiras em 2026, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Já a Pesquisa Game Brasil 2025 aponta que mais de um terço dos brasileiros entre 16 e 30 anos joga online regularmente, e a maioria desse grupo considera os games sua principal forma de entretenimento.
Diante desse cenário, especialistas defendem maior participação das famílias no acompanhamento da rotina digital dos jovens.
Para Sérgio, o monitoramento parental é essencial para evitar o aliciamento de adolescentes por grupos envolvidos em atividades ilegais na internet.
Ele afirma que muitos desses jovens não iniciam no ambiente virtual com intenção criminosa, mas acabam sendo gradualmente inseridos em comunidades onde a diferença entre “trapaça” e crime se torna cada vez menos clara.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












