Celular nas mãos por várias horas, poucas pausas e atenção fixa na tela formam uma combinação que tem levado crianças e adolescentes a apresentar cada vez mais desconforto nos olhos. Entre as queixas que chegam aos consultórios estão ardência, vermelhidão, coceira, sensação de areia e episódios de visão embaçada.
Um dos problemas associados a esse comportamento é o chamado olho seco, condição que ocorre quando a superfície ocular não recebe lubrificação suficiente ou quando a lágrima evapora mais rapidamente do que deveria.
Durante o uso prolongado de celulares, tablets e computadores, é comum que a frequência do piscar diminua involuntariamente. Como o ato de piscar ajuda a distribuir a lágrima pela superfície dos olhos, essa redução pode favorecer o ressecamento.
Celular exige atenção especial
A oftalmologista Ana Paula Silverio Rodrigues explica que o risco aumenta quando a pessoa passa muito tempo olhando para aparelhos posicionados próximos ao rosto, especialmente smartphones.
A especialista participou do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado entre 9 e 12 de setembro, em Salvador. A programação do evento incluiu discussão específica sobre visão e uso de telas na infância.
Segundo especialistas, ambientes pouco iluminados e longos períodos de exposição sem intervalos também podem aumentar o desconforto visual.
Adolescentes passam mais tempo conectados
Os adolescentes estão entre os grupos que exigem maior atenção porque o contato com dispositivos digitais costuma se estender ao longo de praticamente todo o dia.
Computadores e tablets são utilizados para estudar, enquanto celulares permanecem presentes nos momentos de descanso, comunicação, jogos e acesso às redes sociais.
Assim, mesmo depois do período escolar, muitos jovens continuam expostos às telas durante várias horas.
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças entre 6 e 10 anos tenham, no máximo, de uma a duas horas diárias de telas recreativas, com supervisão. Para adolescentes entre 11 e 18 anos, a recomendação é limitar o uso recreativo a duas ou três horas por dia e evitar permanecer conectado durante toda a madrugada.
Pausas ajudam a proteger os olhos
Reduzir períodos contínuos diante dos aparelhos é uma das medidas que podem ajudar a diminuir o desconforto ocular. Pais e responsáveis também devem observar como celulares e tablets estão sendo utilizados, especialmente no período noturno.
Além do tempo de exposição, é importante prestar atenção ao aparecimento frequente de sintomas.
Ardência, coceira, olhos avermelhados, sensação de corpo estranho ou visão embaçada que persistem ou se repetem devem ser avaliados por um oftalmologista.
O acompanhamento é importante porque sintomas semelhantes podem estar relacionados a diferentes problemas oculares, e somente uma avaliação profissional pode identificar a causa e indicar o tratamento adequado.
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