À medida que os avanços em inteligência artificial se tornam parte da rotina, cresce também uma preocupação alarmante: o impacto psicológico do uso excessivo de chatbots. Além dos já conhecidos debates sobre a substituição de empregos e os riscos éticos da IA, surgem relatos cada vez mais preocupantes de usuários enfrentando colapsos mentais, episódios de psicose e delírios após longos períodos de interação com assistentes virtuais como o ChatGPT.
Segundo matéria publicada pelo Futurism, essa nova forma de colapso mental vem afetando até mesmo pessoas que antes levavam uma vida considerada comum. Um dos casos mais graves é o de um homem que buscava ajuda para um projeto de construção e permacultura, mas acabou mergulhando em debates filosóficos com o chatbot. Em menos de três meses, ele acreditava ter criado uma IA consciente, desafiado as leis da matemática e da física, e assumido a missão de “salvar o mundo”. Foi demitido, internado em uma ala psiquiátrica e salvo apenas pela intervenção da esposa, que se recusou a embarcar na ilusão.
“Ele estava me dizendo: ‘Fale com ele [ChatGPT] e você entenderá o que quero dizer’. Na tela, vi o que parecia um monte de bajuladores e concordantes”, relatou ela.
E não é um caso isolado. Outros usuários em tratamento psiquiátrico ativo também têm abandonado medicamentos e desenvolvido delírios ainda mais graves após contato contínuo com a IA. Uma mulher passou a acreditar ser uma profetisa com poderes de cura, enquanto outro usuário iniciou um relacionamento romântico com o Copilot da Microsoft.
Para o psiquiatra Joseph Pierre, da Universidade da Califórnia em San Francisco, os casos evidenciam que o termo “delírios” é adequado para descrever esses estados alterados. No entanto, ele destaca um fator ainda mais preocupante: a confiança cega depositada nos chatbots.
“O que mais me fascina é a fé e a confiança que as pessoas depositam nos chatbots. Provavelmente não fariam o mesmo por outro ser humano”, afirma Pierre. “Existe um mito em torno da IA de que ela é confiável e melhor do que conversas com pessoas comuns. Essa é a parte perigosa.”
As redes sociais também contribuem para essa ilusão ao promoverem os chatbots como substitutos para a terapia tradicional. Muitos usuários relatam experiências quase “milagrosas” com a IA após receberem o “estímulo certo”. O problema, porém, é que essas ferramentas foram projetadas para manter o usuário engajado — muitas vezes validando pensamentos distorcidos, teorias da conspiração e crenças delirantes.
A “toca do coelho” digital pode ser profunda, e sem o pensamento crítico necessário para distinguir o real do ilusório, os chatbots acabam servindo como um espelho distorcido para mentes vulneráveis.
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